21 outubro 2013

Homenagem ao "Poetinha" Vinícius de Moraes

Olá, neste sábado (19/10/2013) seria o centésimo aniversário de
nascimento do "poetinha" Vinícius de Moraes, um dos dois poetas de quem
mais gosto. Resolvi homenageá-lo ea você também com mais uma de suas
lindas criações.

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se
preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu
respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais,
defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um
pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco
de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei.
Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá
onde eu estiver.
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma
frase: 'Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!
' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para
enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E,
vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me
verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a
separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou
para Ele.
Você acredita nessas coisas?
Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer
um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se
inaugura aqui mesmo o seu começo.
Eu não vou estranhar o céu... Sabe por que?
Porque ser seu amigo, já é um pedaço dele!
Vinicius de Moraes
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19 outubro 2013

Onde andará o meu Doutor?

Hoje acordei sentindo uma dorzinha,
aquela dor sem explicação,
e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor.
Fui divagando pelo caminho...
Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
O Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!
Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
QUAL O SEU PLANO?
O MEU PLANO?
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
É dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...
o MEU PLANO DE SAÚDE...
Apresentei o documento do dito cujo
já meio suada, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor...
Entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
Será que ele estava adoentado?
É, quem sabe, talvez gripado;
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
Dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente, um computador,
e no seu semblante a sua dor.
O que fizeram com o Doutor?
Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
Parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! Sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação.
Vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
Para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
peça autorização desses exames para conseguir a realização...
Quando li quase morri...
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA,
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
e CINTILOGRAFIA!?
Ai, meu Deus! que agonia!
Eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
Só sabia que ressonar era dormir,
de magnético eu conhecia um olhar..,
e cintilar só o das estrelas!
Estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
Iria morrer assim ao léu?
Naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
Que fazer com essa sensação de vazio?
E observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
a ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
Bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
Médico não é sacerdote...
Tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
Mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
Preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!
Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
Não me abandone assim de uma vez!
Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
Alimente a minha mente e o meu coração...
Me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
Gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida.
Estarei errada?
Ou estarei com o verme do amarelão?
Existirá umas gotinhas de solução?
Será que já existe vacina contra o tédio?
Ou não terá remédio?
Que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
Cadê o Sccoth, aquele da Emulsão?
Que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
E o Elixir? Paregórico e categórico.
E o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
Será que pensei asneiras?
Ah! Meu querido e adoentado Doutor!
Sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo..,
do seu pensar...
O seu sorriso que aliviava a minha dor...
Que me dava forças para lutar contra a doença...
E que estimulava a minha saúde e a minha crença...
Sairei daqui para um ataúde?
Preciso viver e ter saúde!
Por favor, me ajude!
Oh! Meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
Porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
Precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
Ouço até os seus gemidos...
Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
Estamos todos doentes e sentindo dor...
E peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina..... uma prescrição de amor!
(Tatiana Bruscky)

A todos os médicos
Parabéns pelo seu dia!
18/10/2013
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12 outubro 2013

A poesia suave de Jesus

O Evangelho de Jesus é um poema à simplicidade. Não requer explicações
metafísicas nem elasticidade filosófica para entendê-lo.

* Olhai as aves do céu; não semeiam nem ceifam, mas nosso Pai celestial as alimenta.
É a lição do desprendimento.
* Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não está apto ao reino de Deus.
É a lição da perseverança.
* Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra.
É a lição da auto-análise.
* Quando fordes convidados para um banquete senta no último lugar.
É a lição da humildade.
* Aquele que quer ser o maior, que seja o que mais serve.
É a lição da caridade.
* Vinde a mim todos vós que estás aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
É a lição do acolhimento.
* Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.
É a lição da delicadeza.
* Reconcilia-te com o teu inimigo enquanto estás a caminho com ele.
É a lição do perdão.
* Saiu o semeador a semear sua semente.
É a lição do trabalho.
* Para entrar no Reino do Céu é necessário nascer de novo.
É a lição da volta.
* O Filho do homem veio para servir e não para ser servido.
É a lição da nobreza.
* Seja o vosso falar sim, sim e não, não. Tratai a todos como gostarias de ser tratado.
É a lição da justiça.
* Vai e não peques mais!
É a lição da resistência.
* Lázaro, levanta-te e anda!
É a lição da fé.

Procure Jesus nas coisas simples; na lágrima, no afago, na alegria pura,
no trabalho honesto, no gesto fraterno, no poema à vida, enfim, em tudo
que eleva e ilumina. Por isso é tão difícil para a ciência e para a
filosofia encontrá-Lo.
Luiz Gonzaga Pinheiro
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06 outubro 2013

O amor...

Quantas Vezes Eu Assassinei O Amor?
O amor nunca morre de morte natural. Anaïs Nin(*) estava certa. Morre
porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia.
Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre
eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre
sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa
de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as
lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz com a cama e
com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia
morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que
morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. O
amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida
por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que
a nossa vida. O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre
homicídio. A boca estaráestranhamente
carregada.  Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti
que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu
vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o
corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro
acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o
passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou
ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. No mínimo,
merecia ser incriminado por omissão. Mas talvez eu tenha matado meus
amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os
amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria
quando não restava alegria. Mato; não confesso e repito os rituais.
Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço
que foi um pesadelo.  Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o
relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não
houve testemunhas. Mato porque não tolero o contraponto. A divergência.
Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e
mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades
inacabadas e falhas. Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a
verdade. O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor
delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais
extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na
cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o
assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que
precisava, reintegrar ao armário o que temia rever. O amor é sempre
assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos
saber o que fizemos antes com ela.
Fabrício Carpinejar


(*) Anaïs Nin(21 de fevereiro de 1903, Neuilly , perto de Paris - 14 de janeiro de 1977, Los Angeles )
Batizada como Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell.
Foi uma autora nascida na França , filha do compositor Joaquin Nin,
cubano criado na Espanha e Rosa Culmell y Vigaraud,de origens cubana,
francesa e dinamarquesa. Anaïs Nin tornou-se famosa pela publicação de
diários pessoais, que medem um período de quarenta anos, começando
quando tinha doze anos. Foi amante de Henry Miller e só permitiu que
seus diários fossem publicados após a morte de seu marido Hugh Guiler.
Seus romances e narrativas, impregnados de conteúdo erótico foram
profundamente influenciados pela obra de James Joyce e A Psicanálise.
Dentre suas obras destaca-se Delta de Vênus (1977), traduzido para todas
as línguas ocidentais, aclamado pela crítica americana e europeia.
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