11 julho 2013

Estrelas

Quando um sonho se torna realidade,
a gente nem acredita.
Não sabe se chora, se ri ou se grita.
Se belisca.
Abre e fecha os olhos.
Apalpa.
Talvez esteja dentro da nossa natureza
não acreditar na realização
dos próprios sonhos.
Uma natureza pessimista.
A gente espera, certo,
mas no fundo não acredita.
Olhamos para eles como olhamos
para o arco-íris e as estrelas:
lindos, encantadores,
maravilhosos e inatingíveis.
Mas gostamos de olhar,
mesmo cientes de que
nunca poderemos tocá-los.
O fato de existirem já é um encanto
e um milagre Divino.
Nos satisfazemos.
E justamente por que não acreditamos,
não corremos atrás, não construímos,
não tentamos.
Olhamos para o que outros conseguem
e nos dizemos que eles têm muita sorte.
Não nos incluímos nessa categoria.
Mas se um dia resolvemos
pegar as sete cores do arco-íris
e trazer pra realidade das nossas vidas,
veremos que nós também temos muita sorte,
que nós também podemos.
Se aproveitamos o brilho das estrelas
para iluminar nosso caminho
e não nos cegar,
veremos que teremos
uma caminhada mais nítida.
Só vivemos de cinza por opção,
pois a vida é colorida, é intensa.
Vamos olhá-la com olhos nus.
Tocá-la.
Vivê-la.
Amá-la.
Correr atrás do que desejamos
e esticar os braços até alcançarmos.
Subir escadas, transpor barreiras.
Lutar pelo que nos realizará.
Brigar, se for preciso.
Chorar, mas de pé.
Talvez assim a gente não se surpreenda
tanto quando nossa mão atingir,
mesmo se timidamente,
uma das cores do arco-íris
ou a ponta de uma estrela.
Talvez outros se surpreendam.
Mas nós não.
Por que acreditamos.
Por que bem nos nosso íntimo
sabíamos que o caminho poderia ser longo,
mas que um dia chegaríamos lá.
Letícia Thompson
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02 julho 2013

Simplesmente...

Aquele que bate no peito mas não emenda seus caminhos, não remove
seus pecados; antes os enrijece.
Agostinho

Um fósforo, uma bala de menta, um café e um jornal Estes quatro
elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento
que conhecemos. Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da
estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em
poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.
Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz
suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente:
"Bem-vindo ao Venetia!" Três minutos após essa saudação, o hóspede já se
encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com
os procedimentos: tudo muito rápido e prático. No quarto, uma discreta
opulência, uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo
apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser
riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para
passar a noite, começou a pensar que estava com sorte. Mudou de roupa
para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do
registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha
experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para
o quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não
foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um
lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os
travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite
agradável aquela! Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho
borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente
uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu
café e, junto um cartão que dizia: "Sua marca predileta de café. Bom
apetite!" Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe? De repente,
lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café. Em
seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal.
"Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?" Mais uma vez,
lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual
jornal ele preferia. O cliente deixou o hotel encantado. Feliz pela
sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel
fizera mesmo de especial? Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de
menta, uma xícara de café e um jornal. Nunca se falou tanto na relação
empresa-cliente como nos dias de hoje. Milhões são gastos em planos
mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais
insatisfeito, mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as
prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas. O
valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do
relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um
parceiro importante! Isto vale também para nossas relações pessoais
(namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser
humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos
muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais
simples de nosso dia-a-dia e na maioria das vezes passam despercebidos".
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30 junho 2013

Desabafo

Tudo que uma médica BRASILEIRA, que trabalha no interior, quer falar pra "Presidente" hoje:

,Dilma, deixa eu te falar uma coisa, este ano completo 7 anos de formada
pela Universidade Federal Fluminense e desde então, por opção de vida,
trabalho no interior. Inclusive hoje, não moro mais num grande centro.
Já trabalhei em cada canto... Você não sabe o que eu já vi e vivi, não
só como médica, mas como cidadã brasileira. Já tive que comprar remédio
com meu dinheiro, porque a mãe da criança só tinha R$ 2,00 para comprar
o pão. Por que comprei? Porque não tinha vaga no hospital para internar
e eu já tinha usado todos os espaços possíveis (inclusive do corredor!)
para internar os mais graves. Você sabe o que é um puxadinho? Agora... Já viu
um dentro de enfermaria? Pois é, eu já vi. E muitos. Sabe o que é mãe e
filho dormirem na mesma maca porque simplesmente não havia espaço para
sequer uma cadeira? Já viu macas tão grudadas, mas tão grudadas, que na
hora da visita médica era necessário chamar um por um para o consultório
porque era impossível transitar na enfermaria? Já trabalhei num local em
que tive que autorizar que o familiar trouxesse comida. Por que? Não
tinha, ora bolas! e já trabalhei em outro que lotava na hora do lanche.
Lanche?! refresco ralo com biscoito de péssima qualidade) que era
distribuído aos que aguardavam na recepção. Já esperei 12 horas por um
simples hemograma. Já perdi o paciente antes de conseguir uma mera
ultrassonografia. Já vi luva descartável ser reciclada. Já deixei de
conseguir vaga em U.T.I. pra doente grave porque eu não tinha um exame
complementar que justificasse o pedido. Já fui ambuzando um prematuro de
1Kg (que óbvio, a mãe não tinha feito pré natal!) por 40 Km para vê-lo
morrer na porta do hospital sem poder fazer nada. A ambulância não tinha
nada... Tem mais, calma! Já tive que escolher direta ou indiretamente
quem deveria viver. E morrer... Já ouvi muito desaforo de paciente,
revoltando com tanto descaso e que na hora da raiva, desconta no médico,
como eu, como meus colegas, na enfermeira, na recepcionista, no
segurança, mas nunca em você. Já ouviu alguém dizer na tua cara: meu
filho vai morrer e a culpa é tua? Não, né? E a culpa nem era minha, mas
era tua, talvez. Ou do teu antecessor. Ou do antecessor dele... Já vi
gente morrer! Óbvio, médico sempre vê gente morrendo, mas de apendicite,
porque não tinha centro cirúrgico no lugar, nem ambulância pra
transferir, nem vaga em outro hospital? Agonizando, de insuficiência
respiratória, porque não tinha laringoscópio, não tinha tubo, não tinha
respirador? De sepse, porque não tinha antibiótico, não tinha
isolamento, não tinha U.T.I.? A gente é preparado pra ver gente morrer,
mas não nessas condições. Ah! Dilma, você não sabe mesmo o que eu já vi!
Mas deixa eu te falar uma coisa: trazer médico de Cuba, de Marte ou de
qualquer outro lugar, não vai resolver nada! E você sabe bem disso. Só
está tentando enrolar a gente com essa conversa fiada. É tanto descaso,
tanta carência, tanto despreparo... As pessoas adoecem pela fome, pela
sede, pela falta de saneamento e educação e quando procuram os
hospitais, despejam em nós todas as suas frustrações, medos,
incertezas... Mas às vezes eu não tenho luva e fio pra fazer uma sutura,
o que dirá uma resposta para todo o seu sofrimento! O problema do
interior não é falta de médico. É falta de estrutura, de interesse, de
vergonha na cara. Na tua cara e dessa corja que te acompanha! Não é só
salário que a gente reivindica. Eu não quero ganhar muito num lugar que
tenha que fingir que faço medicina. E acho que a maioria dos médicos
brasileiros também não. Quer um conselho? Pare de falar besteira em rede
nacional e admita: já deu pra vocês! Eu sei que na hora do desespero, a
gente apela, mas vamos combinar, você abusou! Se você não sabe ser
"presidenta", desculpe-me, mas eu sei ser médica, mas por conta da
incompetência de vocês, não estou conseguindo exercer minha função com
louvor! Não sei se isso vai chegar até você, mas já valeu pelo desabafo!


Fernanda Melo
Médica, moradora e trabalhadora de Cabo Frio, cidade da baixada litorânea do estado do Rio de Janeiro.
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27 junho 2013

Adoecendo...

Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção.
Tô sofrendo de preção alto.
O médico mandou cortar o sal.
Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério!
Não sei mais o que é real.
Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
Não tem mais um Real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que a presidente prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time:
- nas últimas.
Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
Entra por um ouvido e sai pelo outro.
Faz diferença...
"A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República
Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo."
"Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio" ....
Luiz Fernando Veríssimo
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