26 agosto 2009

Papo de psicologia

Estava eu, dia desses, conversando com meu filho, que é estudante de
psicologia, quando ele me falou da sua preferência por uma determinada
abordagem terapêutica chamada humanística.
Bem, não sou psicólogo, apesar de ser da área médica e, por isso,
talvez, tenha tido muita dificuldade em entender algumas colocações dele
sobre o comportamento humano, ou talvez por minha visão cristã
evangélica desse mesmo comportamento.
O fato é que chegamos a um ponto em que ele me dizia de um professor
que comparava a abordagem psicológica à abordagem cristã para uma pessoa
que se vê diante de um dilema: manter o comportamento correto ou
romper com o que é socialmente aceito para satisfazer as suas vontades.
Estamos, por exemplo, à beira de um adultério e, o que para nós é
claramente, uma investida do diabo, no conceito daquele professor e da
psicologia é apenas uma "atitude (escolha)" e, o que se seguirá à
transgressão, que será, para nós aquela situação terrível quando o
diabo exerce então o papel de acusador, para o citado mestre, é, tão
somente, a "consciência." Sendo assim, não existe diabo e não há
acusação... concluimos, então que não existe pecado.
Eu vejo a psicologia como ciência e, como toda ciência foi
trazida ao conhecimento humano por permissão de Deus. Mas a psicologia,
desde sua origem insiste em se colocar como antítese à Palavra de Deus,
de Quem procede todo o conhecimento, exaltando o amor próprio e a
satisfação pessoal acima de todas as coisas.
Uma vez que a Palavra de Deus nos ensina como viver, todas as idéias sobre
os "porquês" de certos comportamentos, bem como as sugestões de "como
mudar" isto, precisam ser vistas como religiosas em sua natureza. Ao
mesmo tempo que a Bíblia se proclama como a revelação de Deus, a
Psicologia se propaga como expoente científico. No entanto, quando a
matéria trata de avaliar comportamentos e atitudes com seus valores
morais, nós estamos lidando com religião - considerando a fé cristã ou
qualquer outro tipo professado, incluindo até humanismo secular. Sobre
isso o próprio Carl Jung escreveu:
Religiões são sistemas de cura para doenças mentais... É por isso que
muitos pacientes forçam seus psicoterapeutas a assumirem o papel de
sacerdotes, esperando que ele seja o intermediário para libertá-los de
seus dilemas. E, por isso, os psicoterapeutas, precisam se
ocupar com problemas que, estritamente falando, pertenceriam aos
teólogos.
Perceba que Jung usou a palavra "religiões" em vez de Cristianismo, que
foi claramente repudiado por ele, dando campo para se explorar inúmeras
outras formas de religiões, inclusive o ocultismo. Sem jogar fora a
natureza religiosa do homem, Jung rompeu com o Deus da Bíblia e se
proclamou sacerdote da liberdade de comportamento. Ele definiu todas as
religiões, incluindo o cristianismo, como sendo uma enorme coleção de
mitologias. Ele não cria que elas eram reais em sua essência, mas ao
mesmo tempo defendeu que elas poderiam afetar a personalidade humana e
deveriam servir como solução para os problemas que a humanidade tem.
Em contraste com Jung, Sigmundo Freud reduziu todos os credos religiosos
ao nível de pura ilusão, chegando a caracterizar religião como sendo "a
neurose obsessiva da humanidade." Ele viu religião como sendo ilusória
e fonte de problemas mentais.
Tanto a posição de Jung quanto a de Freud em relação às religiões do
mundo são muito respeitosas, mas eles são, ao mesmo tempo,
anti-cristãos. Um nega a validade do Cristianismo, o outro o compara à
mitologia.
Ao repudiarem o Deus da Bíblia, os dois instigaram seus discípulos à
procura de melhores alternativas para entenderem o ser humano e
solucionar seus problemas de vida. Devotaram-se ao processo
introspectivo, usando sua própria imaginação limitada para comprovarem
suas teorias que sempre mostraram sua subjetividade anticristã.
A fé que uma vez foi dada aos santos era agora destronada por uma fé
substitutiva, chamada medicina ou ciência, mas baseada sobre fundamentos
que estão em direta oposição e contradição com a Bíblia.

Mesmo vivendo dias quando o maior de todos os mandamentos têm sido "ame
a si próprio", a Bíblia ensina claramente que a vida cristocêntrica e
aquela centrada em promover a outra pessoa é a que agrada a Deus.
A Bíblia nunca nos exorta a desenvolvermos o nosso amor-próprio. Por outro
lado, Deus afirma que nós já nos amamos o suficiente, tanto é que esse
nível de amor-próprio, se fosse aplicado em relação a outras pessoas,
seria o suficiente para sermos irrepreensíveis em relação à Lei inteira,
de acordo com Gálatas 5.14: "Porque toda a lei se cumpre em um só
preceito, a saber: Amarás ao teu Próximo cono a ti mesmo." Essa lei foi
dada em Levítico no capítulo 19, reiterada por Jesus em Mateus, 19:19.
Na conversa com o jovem rico e em Marcos, 12:31, quando Ele argumentava
com um dos escribas. Esse nível de amor perigoso que tenho para comigo
mesmo não precisa ser elevado; minha auto-valorização está presente em
mim de uma forma tão arraigada e comprometedora que sou convidado a
negar a mim mesmo para seguir a Cristo apropriadamente. (Mateus 16:24.)
O Criador sabe do nosso nível de amor-próprio: "Porque ninguém jamais
odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida..." (Efésios 5:29.)
Indo um pouco mais além, a idéia de desenvolvermos uma técnica para
elevar o nosso amor-próprio, incrementando nossa auto-suficiência,
auto-valorização, autopromoção, o que é a raiz como pivô da metodologia
psicológica, está classificada entre as agravantes que caracterizarão o
desvirtuamento da raça humana nos últimos dias:
Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os
homens serão egoístas (amantes de si mesmos), avarentos, jactanciosos,
arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos,
irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de
si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes
amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo forma de piedade
negando-Lhe, entretanto, o poder! Foge também destes. 2 Timóteo 3:1-5.
Os ensinos que encorajam a busca de auto-suficiência, fortalecimento do
amor-próprio e reconhecimento do valor próprio têm sido colhidos do
mundo e não das Escrituras; eles São produtos da psicologia humanística
e não da verdade que a Palavra de Deus ensina. A Bíblia não tem espaço
para a pregação do "evangelho da auto-estima". Deus escolheu
expressar-nos Seu amor por causa dEle mesmo, não por nossa causa, e isso
é verdade até mesmo depois que nos tornamos Seus filhos.
Os mais profundos segredos do Evangelho nos São revelados quando tiramos
os nossos olhos de nós mesmos e os dirigimos para o lugar onde estão
escondidos todos os tesouros suficientes para enriquecerem uma vida para
sempre, Jesus Cristo. A pregação psicológica da auto-estima como solução
para vivermos uma vida vitoriosa nos coloca em clara oposição ao que a
Bíblia, a Palavra inspirada de Deus, ensina.
Sendo assim, meu filho, não gostei muito dessa abordagem
humanística, pois me convém diminuir para que o Senhor cresça em mim.

Paulo Lins

--- Referências desta página ---
http://www.adventistas.com/
http://www.webartigos.com/

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25 agosto 2009

Acordo Perigoso

GOVERNO BRASILEIRO FAZ ACORDO COM A IGREJA CATÓLICA EM DETRIMENTO DE
TODOS OS OUTROS CREDOS RELIGIOSOS.

Informe publicitário assinado pela Associação Vitória em Cristo / CIMEB
- Conselho de Pastores do Brasil.
( Veiculado nos principais e maiores jornais e revistaS do País em 25 de
agosto de 2009 ).
O Governo brasileiro enviou à Câmara dos Deputados a mensagem 134/2009
que reconhece o estatuto jurídico da Igreja Católica. Após a mensagem
ser apreciada em uma das comissões para a qual foi enviada, seja
aprovada ou não, transforma-se em projeto de decreto legislativo,
recebendo o nº 1736/2009. No plenário da Câmara, a pedido dos líderes
partidários, foi aprovada a caráter de apreciação urgente, urgentíssimo.
Com muito respeito aos senhores deputados, será que não existe matérias
mais relevantes a serem discutidas de maneira urgente em benefício de
todo o povo brasileiro? Isto é um absurdo! Na verdade, este acordo
beneficia a Igreja Católica na evangelização do povo brasileiro nos
diversos segmentos da sociedade, incluindo hospitais, escola e forças
armadas.
O mais grave é que este acordo contraria o inciso 1º, do artigo 19, da
Constituição Brasileira, que diz: "É vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios: I - Estabelecer cultos religiosos ou
igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com
eles ou seus representantes relação de dependência ou aliança,
ressalvadas na forma da lei, a colaboração de interesse público".
A nossa nação não pode firmar aliança com qualquer credo religioso,
ferindo o princípio da laicidade, inclusive com a quebra da isonomia
nacional! Aproximadamente 70 milhões de brasileiros, que não são
católicos, estão sendo discriminados. Temos a convicção de que a maioria
do povo católico não concorda com um absurdo dessa grandeza, porque são
pessoas democráticas.
Com a aprovação deste acordo ficará a Santa Sé, por meio da CNBB, com
plenas condições de fechar acordos com o governo brasileiro, sem que
jamais tenham de passar pelo Congresso Nacional. É um verdadeiro "CHEQUE
EM BRANCO" para a Igreja Católica. Isto é uma vergonha!
Senhores deputados, não aprovem este acordo. Fiquem certos de que não
mediremos esforços para informar a todos os credos religiosos quem são
os deputados que votaram a favor deste acordo discriminatório.
Estendemos o eco da voz deste manifesto ao Senado da República, próxima
casa legislativa que terá de apreciar o resultado apurado pela Câmara
dos Deputados.
Tenham a absoluta certeza de que não temos memória curta e que vamos pensar
muito bem em quem vamos votar nas próximas eleições para Deputado
Federal, Senador e Presidente da República.
EM FAVOR DO ESTADO LAICO, DIGA NÃO AO PDC 1736/2009.

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22 agosto 2009

A Didaquê

1. Título Completo:
Didaché tou Kuríou dià ton dódeka apostólon tois éthnesin
(Ensino (instrução, doutrina) do Senhor aos gentios através dos doze apóstolos)
Abreviado: O ensino dos (doze) apóstolos ou "A didaquê".

2. Importância:
"Um dos documentos mais fascinantes e ao mesmo tempo mais intrigantes a
emergirem da igreja primitiva" (M. W. Holmes).
"Nenhum documento da igreja antiga tem se revelado tão desconcertante
para os estudiosos como esse folheto aparentemente inocente"...
"A criança mimada da crítica" (C. C. Richardson).
"É a única evidência contemporânea direta que temos sobre as condições
da vida da Igreja no período obscuro entre o Novo Testamento e a
organização mais plenamente desenvolvida do 2º século" (M. Staniforth).
"O documento mais importante do período sub-apostólico e a mais antiga
fonte de lei eclesiástica que possuímos... Enriqueceu e aprofundou de
modo extraordinário o nosso conhecimento dos primórdios da Igreja" (J. Quasten).

3. Descoberta do manuscrito:
O título do documento era conhecido através de referências em vários
escritores antigos.
Em 1873, Filoteos Bryennios, o metropolita grego de Nicomédia, encontrou
na biblioteca do mosteiro do Santo Sepulcro (biblioteca do patriarca
grego de Jerusalém), em Constantinopla (Istambul), um rolo de
manuscritos em grego, datado de 1056, copiado por um escriba chamado Leo.
Tratava-se de 120 folhas de pergaminho contendo a Sinopse de Crisóstomo
dos Livros do A.T. e do N.T., a Epístola de Barnabé, as duas epístolas de
Clemente, a Didaquê, a Epístola de Maria de Cassobelae a Inácio e a
versão longa das cartas de Inácio (12 cartas).
Em 1883, dez anos após a descoberta, Bryennios publicou a Didaquê pela
primeira vez, em Constantinopla. Em 1887, o manuscrito (Cod. 54 ou Codex
Ierosolymitanus) foi levado para a biblioteca patriarcal de Jerusalém,
onde se encontra até hoje.
Existem outras versões antigas da Didaquê: copta, etíope, georgiana e latina.

4. Testemunhos antigos:
As muitas menções de trechos da Didaquê em escritos da igreja antiga
atestam a sua importância. Ela deve ter gozado de ampla circulação por
algum tempo, sendo aceita pelo menos por uma parte da igreja como um
livro digno de ser lido no culto divino. Clemente de Alexandria a cita
uma vez como Escritura (graphé). (Strom. I, 20, 100)
Vários autores acharam necessário destacar que a Didaquê não possuía
caráter canônico. Eusébio de Cesaréia refere-se a ela como um dos livros
apócrifos ou espúrios (Hist. Ecles., III, 25, 4). Atanásio faz o mesmo,
mas declara que ela ainda era usada na instrução catequética (Ep. Fest. 39).
O autor da Didascália (início do terceiro século) conhecia toda a
Didaquê. Esta serve de base para o 7º livro das Constituições
Apostólicas (Síria, quarto século). Os Dois Caminhos (caps. 1-6) são
muito semelhantes aos capítulos 18-20 da Epístola de Barnabé (100-130 AD).
É possível que ambos os documentos tenham se baseado em uma fonte
comum. Grande parte desse material também aparece na Ordem Eclesiástica
Apostólica (quarto século) e na Vida de Schnudi (quinto século).

5. Partes constitutivas:
O documento tem duas partes distintas:
(a) Os Dois Caminhos (1-6): código de moralidade cristã, apresentando as
diferentes virtudes e vícios que constituem, respectivamente, o Caminho
da Vida e o Caminho da Morte. Essa seção é uma adaptação de um tratado
moral autônomo, provavelmente de origem judaica, que era conhecido e
usado em Alexandria. No início do segundo século, esse texto judaico
teria sido inserido em um primitivo manual eclesiástico – a Didaquê,
recebendo importantes acréscimos cristãos.
(b) Manual eclesiástico (7-16): compêndio de regras que tratam de
diversos aspectos da vida da igreja, tais como: batismo, jejum,
eucaristia, missionários itinerantes, ministros locais, etc. São esses
antigos regulamentos que conferem à Didaquê um interesse e importância
singulares, pois refletem a vida de uma primitiva comunidade cristã na
Síria (ou no Egito) no final do 1º século. (M. Staniforth)
a parousia do Senhor e deveres dela decorrentes: cap. 16.
A primeira seção é composta de duas partes: regras de moralidade (1-6) e instruções
litúrgicas (7-10).
Segundo o mesmo autor, alguns temas importantes do documento são: oração
e liturgia, confissão, hierarquia, beneficência, eclesiologia e
escatologia. Contém as mais antigas orações eucarísticas conhecidas e a
única referência ao batismo por efusão nos dois primeiros séculos. Não
faz nenhuma referência ao episcopado monárquico e aos presbíteros.
Roque Frangiotti divide o texto em quatro partes: (a) seção doutrinal ou
catequética: caps. 1-6; (b) instruções litúrgicas: caps. 7-10;
(c) instruções disciplinares: caps. 11-15; (d) epílogo sobre a segunda vinda
de Cristo: cap. 16.
Uma versão latina, intitulada "Doctrina apostolorum" e correspondente à
Didaquê 1-6 (sem 1.3b-2.1), apóia-se no texto grego de uma doutrina
judaica tardia dos dois caminhos. Essa doutrina destinava-se à instrução
moral de gentios desejosos de aderir à sinagoga como "tementes a Deus".
O escrito era intitulado "Didaché Kuríou tois éthnesin". Pela inserção
das palavras "diá ton dódeka apostólon" no título e pela interpolação de
1.3b-2.1, a doutrina recebeu um caráter cristão. (Altaner e Stuiber)

6. Autoria e data:
Autor: um ministro sagrado de idade avançada, formado na escola de
Tiago, o Menor, que teria imigrado para a Síria por ocasião da guerra
civil (R. Frangiotti). O documento teria sido colocado na forma presente
no máximo até 150, embora pareça provável uma data mais próxima do final
do primeiro século.

7. Evidências de antiguidade
* O título "servo de Deus" aplicado a Jesus.
* A simplicidade litúrgica e das orações.
* As orações eucarísticas apontam para um período em que a Ceia do
Senhor era ainda uma ceia.
* O batismo em água corrente.
* Preocupação em distinguir as práticas cristãs dos rituais judaicos (8.1).
* Ausência de preocupação com um credo universal.
* Nenhuma referência aos livros do Novo Testamento.
* Nenhuma referência ao episcopado monárquico.
* Ênfase aos ofícios carismáticos e itinerantes: apóstolos e profetas.
* Dupla estrutura de bispos e diáconos (ver Fp 1.1).
* Outros temas ausentes: virgindade, tendências gnósticas e antignósticas.

8. Composição
C. Richardson entende que o "didaquista" foi mais um compilador do que
um autor. Ou seja, ele não escreveu a Didaquê, mas reuniu dois
documentos pré-existentes, fazendo algumas adaptações. Ele provavelmente
compôs o capítulo final (16).
Os Dois Caminhos (caps. 1-5) representariam uma forma tardia de um
catecismo original no qual o "didaquista" inseriu em bloco alguns ensinos
tipicamente cristãos. Tais ensinos revelam um conhecimento de Mateus e
Lucas, e também do Pastor de Hermas (1.5 = Man. 2.4-6) e da Epístola de
Barnabé (16.2 = Barn. 4.9).
O manual de ordem eclesiástica (caps. 6-15) refletiria o período
sub-apostólico nas igrejas rurais da Síria. Evidências:
(a) é claramente dependente do evangelho de Mateus, que provavelmente se originou na
Síria;
(b) as orações eucarísticas refletem uma região em que o trigo é
semeado nas colinas (9.4);
(c) a seção batismal pressupõe uma região em
que existem termas (7.2);
(d) os profetas e mestres lembram a situação
de Antioquia (Atos 13.1). A imagem que se obtém dessa fonte é de
comunidades rurais que recebem periodicamente a visita dos líderes de
algum centro cristão.
A Didaquê propriamente dita deve ter sido composta em Alexandria.
Evidências:
(a) os Dois Caminhos circulavam ali, pois a Epístola de
Barnabé e a Ordem Eclesiástica Apostólica procedem daquela localidade;
(b) é possível que Clemente de Alexandria conhecesse a Didaquê;
(c) o documento revela uma atitude liberal em relação ao cânon do NT,
aparentemente incluindo Barnabé e Hermas, o que aponta para Alexandria;
(d) até o quarto século a Didaquê era altamente valorizada no Egito,
sendo quase considerada canônica, e foi mencionada por Atanásio como
adequada para a instrução catequética.

Alderi Souza de Matos

Se você quiser conhecer a Didaquê na íntegra, acesse:
http://www.psleo.com.br/pa_didaque.htm

--- Referências desta página ---
HTTP://www.mackenzie.br
http://www.psleo.com.br/pa_didaque.htm

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16 agosto 2009

Família: Razões para celebrar ou lamentar?

Após atravessar o Mar Vermelho com os pés secos, depois de séculos de escravidão no Egito, o povo Hebreu tinha motivos
de sobra pra comemorar. Mirian, irmã mais velha de Moisés, tomou um tamborim, e liderou o cortejo de mulheres, que cantavam e dançavam em celebração.Embora todos
tivessem razão de celebrar, Mirian tinha razões extras. Creio que enquanto dançava, sua mente foi remetida a um episódio do qual foi coadjuvante, ocorrido oitenta
anos antes.
Não fosse aquele acontecimento, talvez não houvesse razão pra que Israel comemorasse sua libertação.
Mirian ainda era uma menina quando sua mãe deu à luz
um menino. Àquela época, Faraó, o rei do Egito, decretou que todos os meninos hebreus recém-nascidos deveriam morrer. O receio de Faraó era que a multiplicação
dos hebreus colocasse em risco a soberania do Egito.
"Vendo que o menino era formoso, escondeu-o por três meses" (Êx.2:2). Nada como o instinto materno!
Porém, por ser muito chorão, o menino acabava chamando a atenção dos transeuntes. O que fazer? Se as autoridades soubessem de sua existência, o matariam. E se alguém
os denunciasse?
Talvez toda a família fosse executada, por não obedecer a um decreto real.
"Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou um cesto de juncos, e o revestiu
de betume e piche. Então pôs nele o menino, e o largou entre os juncos à beira do
rio" (Êx.2:3).
Por mais insana que parecesse a idéia, era a única que ocorreu à mãe do menino.
Lançá-lo ao rio lhe parecia melhor do que vê-lo sendo partido ao meio. Porém antes de entregá-lo às águas, sua mãe lhe preparou um cesto. Provavelmente
o acolchoou, proveu um pequeno lençol para que o protegesse. Mas além disso, o mais importante: ela impermeabilizou o cesto. Forrou-o de betume por dentro e por
fora, para que as águas não se infiltrassem e matassem o menino afogado.
O menino tinha que ser mantido seco. Embora ela não soubesse, mas seria ele o líder que conduziria
o seu povo pelo Mar Vermelho com os pés à seco.
O que estava em jogo era muito mais do que a vida de um infante. Era o futuro de um povo, e quiçá, o futuro e a salvação
de toda a humanidade.
Enquanto Mirian tocava seu tamborim, ela se lembrou de quando teve que acompanhar o cesto açoitado pelas correntezas do Nilo, ou de um de seus
afluentes. Não sabemos se por ordem de sua mãe, ou por iniciativa própria. O fato é que ela não desgrudou os olhos do cesto que continha seu irmão ainda sem nome.
Agora eram duas vidas em risco. As margens do Rio poderiam reservar surpresas desagradáveis, como por exemplo, os famosos crocodilos do Nilo.
De repente, o cesto estaciona preso aos juncos. Justamente nessa hora, a filha de Faraó desceu para se lavar no rio. Enquanto se banhava, avistou o cesto, e
pediu que
uma de suas criadas o trouxessem a ela.
"Abrindo-o, viu o menino. Ele chorava, e ela teve compaixão dele, e disse: Este é menino dos hebreus" (v.6). Provavelmente, ela reconheceu que era um hebreuzinho,
por causa da circuncisão a que eram submetidos no oitavo dia de nascido.E agora? O que fazer? Entregar aos soldados para executá-lo? O texto diz que ela se encheu
de compaixão. O próprio Deus despertou nela este que é um dos mais belos sentimentos a aflorar no coração humano.Em vez de entregá-lo, ela resolveu criá-lo.
Porém, surge um novo dilema: como amamentá-lo, se não tenho leite?A menina Mirian, que acompanhara todo o trajeto do cesto, aproximou-se e sugeriu:
"Queres que eu vá chamar
uma ama dentre as hebréias, que crie este menino para ti?" (v.7).
A provisão divina promoveu o reencontro entre o menino e sua mãe, permitindo que ela não só o amamentasse
como também o criasse. E, ainda por cima, recebeu salário para isso!
"Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou. Ela lhe pôs o nome
de Moisés, e disse: Das águas o tirei" (v.10).
Este é o único caso na Bíblia ( pelo menos, que eu saiba...) onde alguém só recebeu um nome depois de grande. Talvez
sua mãe tenha evitado dar-lhe um nome, para que não tivesse um vínculo afetivo mais forte com o menino. Era uma maneira de se precaver, já que sabia que teria que
devolvê-lo à filha de Faraó.
Moisés, o menino tirado das águas, seria o homem através de quem Deus livraria Seu povo pelas águas.
Veja quantas razões havia no coração de Mirian para festejar a passagem pelo Mar.
E se o cesto não houvesse sido devidamente impermeabilizado? Se as águas se infiltrassem no cesto, afogando o menino
que seria o libertador de Israel?
Vale aqui uma reflexão: será que temos permitido que haja alguma infiltração indesejada em nossa família? Temos cuidado devidamente
de nossos filhos? Já nos ocorreu que eles representam o futuro?Assim como a mãe de Moisés, tentamos mantê-los escondidos do mundo, até que, de repente, eles crescem.
Se fosse possível, nós os colocaríamos numa redoma (falo por mim!). Gostaríamos de poupá-los de tudo de mal que o mundo oferece, de todas as dores e decepções.
Mas chega o momento em que temos que lançá-los ao rio. Temos que entregá-los às águas do rio da vida. Deixar que sejam levados por suas correntes.Isso é inevitável!
Resta saber se temos depositado nossos filhos num cesto betumado, com suas frestas devidamente tapadas.
Esse "cesto" pode representar a educação que temos dado, os valores e princípios que temos passado.E mais: mesmo depois de entregá-los à vida, há que se acompanhá-los,
ainda que à distância, como fez Mirian.
Com quem nossos filhos têm andado? Quem tem sido suas influências? Que sites têm visitado na internet?De quantas dores seríamos poupados se tão-somente nos precavêssemos,
preparando
o cesto, acompanhando-o em sua travessia pelo rio?
Às vezes, os pais não querem ser chatos, pois sabem que os filhos necessitam de um pouco de privacidade. Mas lembre-se:
Não foi a mãe de Moisés que acompanhou o cesto. Foi sua irmã. E aqui há um princípio bíblico muito importante: os irmãos devem cuidar uns dos outros. Não podemos
incorrer no mesmo erro de Caim, quando perguntado por Deus acerca de Abel, respondeu: Sou eu guardador do meu irmão?Entre irmãos, deve haver confiança, cumplicidade
sadia, acompanhamento, cuidado mútuo.
Lá na frente, quando presenciarmos um grande feito realizado por Deus através de nosso filho ou irmão, teremos motivos para
celebrar. Infelizmente, muitos pais e irmãos só encontram motivos para se envergonhar e lamentar a sorte de seus filhos e irmãos.
Não adianta acusar A ou B. Temos que proceder com responsabilidade agora, preparando o cesto, acompanhando de perto a sua trajetória, e nos oferecendo como "amas
de peito", isto é, alguém com quem
nossos entes queridos sempre poderão contar, seja entre os juncos no rio, ou nos pátios dos palácios.

Bispo Hermes C. Fernandes
http://www.hermesfernandes.blogspot.com
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