23 julho 2009

Rumores de guerras

Entendendo a Profecia de Mateus 24


Mateus 24 é citado freqüentemente para explicar eventos atuais. Muitas
pessoas sugerem que as notícias de hoje foram preditas por Cristo, para
nos falar de sua volta. De acordo com tais interpretações deste texto,
cada terremoto ou outro desastre natural, e cada conflito entre nações
ou ameaça de guerra, em qualquer canto do mundo, é mais uma prova de que
Jesus estará voltando logo.

Mas a profecia de Mateus 24 está se cumprindo agora? Para entender este
texto, precisamos lê-lo cuidadosamente e, com mente aberta, pondo de
lado nossas idéias preconcebidas e o sensacionalismo dos modernos
"especialistas em profecias." Neste artigo, consideraremos brevemente o
conteúdo de Mateus 24 e 25. (Marcos 13 e Lucas 21 tambêm registram a
mesma profecia básica. Este artigo segue o testo de Mateus 24)


O Ambiente e as Circunstâncias

Jesus estava em Jerusalém, durante sua semana final. Os chefes judeus já
haviam desafiado sua autoridade, mas não tinham tido sucesso em suas
tentativas para desacreditá-lo. Frustrados, começaram a planejar sua
morte. Jesus lamentava a infidelidade daqueles que residiam na "Cidade
Santa" (Mateus 23:37-39).


A Profecia Básica da Destruição do Templo (Mateus 24:1-3)

Quando Cristo estava saindo do templo, predisse que ele seria totalmente
destruído: "Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra
que não seja derribada" (24:2). Os apóstolos perguntaram sobre esta
profecia: " Dize-nos quando acontecerão estas cousas e que sinal haverá
da tua vinda e da consumação do século" (24:3).


A Resposta de Jesus (Mateus 24:4-39)

É possível que os apóstolos tenham concluído que a destruição do templo
e o fim do mundo aconteceriam ao mesmo tempo, mas nesta resposta a sua
pergunta, Jesus fez uma distinção entre estes dois acontecimentos.
Podemos saber com certeza que os sinais mencionados nos versículos 4-33
não estão falando das notícias de hoje ou de acontecimentos futuros, por
causa das claras palavras de Jesus no versículo 34: "Em verdade vos digo
que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça." Jesus falou
mais ou menos no ano 30 d.C. O templo foi destruído pelo exército romano
em 70 d.C. Alguns daqueles que ouviram a profecia viveram para ver seu
cumprimento. Jesus esclareceu que os sinais que ele deu: guerras,
terremotos, falsos Cristos, grande tribulação, etc. iriam acontecer
durante a vida de alguns dos seus ouvintes.

Jesus disse que o templo seria destruído depois da vinda de falsos
Cristos e de falsos profetas (24:4-5,11,23-26), e depois de terríveis
calamidades (guerras, fomes e terremotos - 24:6-8). Ele também disse que
haveria perseguição (24:9-10) e aumento de pecado (24:12-13), e que o
evangelho seria pregado por todo o mundo (24:14), antes que Jerusalém
chegasse ao seu fim. Deste modo, Jesus estava dando algum conforto aos
seus apóstolos, dizendo que a queda de Jerusalém não aconteceria
imediatamente. Eles teriam tempo para cumprir sua missão antes da
destruição de Jerusalém.

Estas coisas aconteceram antes de 70 d.C.? Sabemos que sim, porque Jesus
disse que aconteceriam! Além desta profecia, a História nos fala de
catástrofes naturais, perseguições e guerras, nesse tempo. De maior
importância do que a evidência histórica, podemos nos voltar para a
própria Bíblia. O Novo Testamento fala do sofrimento da fome (Atos
11:27-30), de falsos profetas (2 Pedro 2) e da perseguição contra os
fiéis (Atos 8:1-3; etc.). E, exatamente como Jesus predisse, os zelosos
discípulos levaram o evangelho a todo o mundo. Alguns anos antes da
destruição do templo, Paulo dizia que o evangelho ". . . foi pregado a
toda criatura debaixo do céu" (Colossenses 1:23). Todas estas coisas
tinham que acontecer antes da destruição do templo.

Na profecia de Mateus 24, Jesus também falou dos sinais que mostrariam
aos discípulos alertas que o tempo da queda de Jerusalém tinha chegado.
Ele falou especialmente do "abominável da desolação" (24:15). Aqui, ele
usa a mesma linguagem que Daniel usava para falar dos exércitos gentios
entrando na cidade santa e no templo (veja Daniel 9:27; 11:31; 12:11). A
profecia paralela de Lucas 21:20-24 torna claro que este é o significado
desta linguagem. Jesus advertiu seus seguidores que estivessem prontos
para fugir quando isto acontecesse. Ele disse que eles deveriam orar
para que sua fuga não fosse complicada por mau tempo ou restrições do
dia do sábado (24:20)

[Algumas pessoas interpretam esta referência ao sábado como evidêcia de
que os cristãos têm que continuar a observar esta lei do Velho
Testamento, que era realmente um sinal da aliança entre Deus e os
israelitas (Êxodo 31:12-18). Uma explicação melhor deste texto é
encontrada em Neemias 13:15-22, onde Neemias instituiu a prática de
fechar as portas da cidade no sábado para evitar violações da lei,
durante o tempo do Velho Testamento.]

Ele também avisou que seria mais difícil para as mulheres grávidas e
mães de crianças pequenas (24:19).

Para fixar sobre seus ouvintes o significado deste terrível dia de
destruição, Jesus usou linguagem como a que encontramos nas profecias do
Velho Testamento, de total destruição de nações e povos. Quando lemos os
versículos 29-31, dois pontos nos ajudam a perceber que Jesus ainda está
falando de Jerusalém, e não do fim do mundo:

1. O limite de tempo que Jesus determinou em sua profecia, no versículo
34. Tinha que ser cumprido naquela geração.

2. O fato que as profecias do Velho Testamento usam a mesma linguagem
para falar da destruição de reinos e cidades terrestres. Jesus disse:
"Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá a lua não
dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos
céus serão abalados" (24:29). À primeira vista, isso pode soar como o
fim literal do mundo. Mas tal linguagem é usada em outros lugares, para
falar da extinção de reis e reinos aqui na terra: Faraó do Egito
(Ezequiel 32:2,7-10), nações gentias (Joel 3:12-15), Babilônia (Isaías
13:9,10,13). É claro que tal linguagem não profetiza, necessariamente, o
fim do mundo, mas pode ser usada para falar dos julgamentos físicos
contra nações, que ocorreram há muito tempo.

Jesus continuou, nos versículos 30 e 31, com figuras de julgamento do
que se encontram no Velho Testamento. Ele disse que o Filho do homem
viria nas nuvens, para julgar e salvar. Encontramos linguagem semelhante
em passagens que falam do julgamento contra povos físicos, tais como
Joel 3:16 e Amós 5:17-20. O Dia do Senhor não é necessariamente a
segunda vinda de Cristo. Tal linguagem pode descrever a vinda de Deus em
julgamento contra uma nação ou cidade.

Por que Jesus deu aos seus seguidores tais sinais detalhados sobre o
julgamento contra Jerusalém? É claro, pela linguagem dos versículos
32-33, que ele queria que estivessem alertas e vigilantes. Se pudessem
ver os sinais que ele tinha predito, teriam oportunidade para fugir e
evitar serem destruídos (24:15-20).

Depois de afirmar que a destruição do templo seria acompanhada por
claros sinais e que seria cumprida naquela geração (24:34-35), Jesus
falou, nos versículos 36-39 ". . . a respeito daquele dia . . ." que
viria sem aviso. Ele não deu uma data, nem sinais para identificar sua
segunda vinda. De fato, nos versículos seguintes, ele mostra que sua
segunda vinda será súbita, inesperada e sem sinais de advertência.


Parábolas do Julgamento Final (Mateus 24:40 - 25:30)

Depois de falar de coisas que tinham que acontecer naquela geração (até
os versículos 34-35), Jesus falou de sua segunda vinda, como algo que
aconteceria no momento escolhido pelo Pai, porém não revelado a ninguém
(24:36-39). Ele ressalta este ponto com uma série de parábolas que
descrevem sua segunda vinda. Estas parábolas todas enfatizam à
importância de se estar preparado para sua volta. Jesus falou dos
trabalhadores no campo (24:40-42), do ladrão na noite (24:43-44), da
diferença entre os servos bons e os maus (25:45-51), do contraste entre
os tolos e os prudentes (25:1-13) e da importância de preparar-se para a
volta do Mestre, como é explicado na parábola dos talentos (25:14-30).


Descrição do Julgamento Final (Mateus 25:31-46)

A parte final do capítulo 25 descreve o julgamento final, mostrando que
Jesus se sentará no trono do julgamento, separando os servos
desobedientes dos fiéis. Essa separação será final: "E irão estes para o
castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (25:46).


Aplicações

Entre as muitas lições que podemos aprender, no estudo deste texto, é
importante que lembremos duas:

1. Que o cuidadoso estudo dos trechos bíblicos em seu contexto pode
ajudar- nos a evitar que sejamos desencaminhados por doutrinas humanas
sensacionalistas, tais como o pré-milenismo. Deveríamos sempre começar
pela Bíblia, e não pelas últimas manchetes dos jornais.

2. Que precisamos estar sempre preparados para a volta de Cristo. Ele
não enviará sinais para nos avisar da sua volta. Pode acontecer daqui a
milhares de anos, ou pode acontecer hoje à noite. Ladrões não mandam
cartas com antecedência para avisar suas vítimas, e Deus não mandará
aviso antecipado da volta de Cristo. Aqueles que estão preparados, nada
têm a temer. Os despreparados enfrentam o trágico futuro de eterno
sofrimento, separados de Deus. Que cada um se prepare para estar com
Cristo na eternidade!

- por Dennis Allan

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20 julho 2009

Dia do amigo

No dia do amigo, a homenagem do Mel e Gafanhotos àqueles que a Bíblia
diz que são mais chegados que um irmão.
Um grande abraço a todos aqueles que eu tive a alegria de chamar de
amigos e a todos que me emocionam com esse sentimento.

Paulo Lins

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Procuro um amigo

Procuro um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, de sol, da lua,
do canto dos ventos, das canções da brisa, das coisas de Deus..
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que
seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os
amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que
seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve
sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações da infância.
Precisa-se de um amigo para não enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste
durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas por que já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que nos chame de amigo,
para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes

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17 julho 2009

Capitalismo Gospel

A grosso modo, capitalismo é a influência ou supremacia do
capital ou do dinheiro. Em outras palavras, é um sistema pelo qual
alguém investe capital ou dinheiro numa atividade produtiva com o
objetivo de gerar lucros. Mas, qual a relação que isso tem com o
evangelho?
Bem. Com o Evangelho genuinamente bíblico, nenhuma; contudo, com o
evangelho que muitos pregam em nossos dias, há uma intrínseca
convivência. Lamentavelmente, o Evangelho tornou-se para um grande
número de pessoas, num meio totalmente eficaz de enriquecimento,
numa fórmula perfeita de ascensão financeira.
Grandes empresas, principalmente do ramo fonográfico e editorial, que
nunca nutriram nenhum vínculo com o povo de Deus, infiltraram-se no meio
evangélico, buscando dessa forma ampliar seus lucros; atingir um
"mercado" em fase de expansão, afinal só no Brasil somos mais de
20 milhões! Utilizam-se do Evangelho de forma, muitas vezes,
inescrupulosa, bombardeando os crentes com um marketing
estrategicamente elaborado, fazendo uso de uma linguagem cristã,
dando uma roupagem aparentemente evangélica ou gospel aos seus
produtos. É comum ouvirmos falar de "Plano de Saúde Evangélico",
"Cartão de Crédito Evangélico", "Shopping Evangélico" etc. Em um
periódico, uma agência de turismo anunciava uma excursão à "Disney
Gospel". Até Sindicato de Pastores já foi cogitado entre nós!
O capitalismo, sob uma camuflagem cristã, penetrou no seio da igreja,
conduzindo muitos crentes ao consumismo exacerbado e ao materialismo
desenfreado. O desejo pela prosperidade financeira suplanta, em algumas
denominações, o anseio pela intimidade com Deus. E o pior: a ambição
pelo dinheiro ganhou respaldo bíblico. Fazem uso da Bíblia para
justificar suas doutrinas de prosperidade. O dízimo, que deveria
ser dado com o intuito de manter a obra de Deus, tornou-se numa
espécie de "investimento" ou numa "fórmula mágica" para se obter
dinheiro de Deus: "Se você der tudo, receberá em dobro" , dizem
alguns; e outros: "O diabo segura a carteira do crente para ele
não dar oferta" .
A famigerada Teologia da Prosperidade, que é motivo de controvérsia
entre as diversas denominações evangélicas, ganhou terreno e já é
naturalmente aceita por inúmeras igrejas. Em muitos casos é
utilizada de forma apelativa, como um chamamento para os que
enfrentam algum tipo de dificuldade financeira ou males físicos:
"Se Jesus estivesse entre nós, hoje, ele sairia num Boeing
particular e compraria emissoras de rádio e televisão para pregar
o mais rápido possível a sua Palavra" , foi o que afirmou um
pastor ligado ao movimento. Para muitos que compartilham essas
idéias, Jesus foi um grande milionário e até usava roupas de
grife. Frases tais como "eu peço", "eu clamo", "eu imploro", "eu
suplico" foram substituídas por "eu exijo", "eu decreto", "eu
determino", "eu reivindico" etc.. São, no dizer de um escritor cristão,
"super-crentes", aqueles que podem tudo, que estão sempre
"amarrando satanás" e que, aparentemente, estão isentos dos
dissabores da vida. Todavia não são poucos os relatos de
desapontamentos, quando percebem que a vida não é nenhum mar de rosas
e que, tais quais quaisquer outras pessoas, estão sujeitas às mesmas
procelas; quando sentem na própria pele, o "espinho na carne".
A prosperidade financeira transformou-se numa espécie de
"fémômetro" (ou
"fidemômetro"), capaz de medir o grau da fé de alguém: se
prosperou, a fé é grande; se fracassou, é pequena. Provavelmente
para estes, os crentes da Somália, da Etiópia, de Filipinas, de
Serra Leoa, do Afeganistão etc. são todos fracassados, visto que
vivem na miséria. Ao contrário, os suecos, os japoneses, os
americanos (principalmente estes, que inventaram tal doutrina) são
poderosos na fé, uma vez que vivem numa grande bonança financeira.
É muito cômodo a quem tem dinheiro e saúde proclamar, como um
arauto, que a escassez de dinheiro e a enfermidade significam ausência
de fé!
Para esses pregadores, a fé só é fé se vier acompanhada de bênçãos
materiais. Eles dizem categoricamente que se as nossas orações
não estão sendo respondidas é porque não temos fé, e se a temos,
ela deve ser fraca. Não é à toa que muitas pessoas vivem
atormentadas por culpas. Sentindo-se fracassadas espiritualmente,
perguntam: Será que a minha fé é fraca? Será que estou em pecado?
É deveras angustiante servirmos a Deus, crermos na sua Palavra, e
ainda assim sermos acusados de falta de fé. Esses
"superpregadores" esquecem-se que, não obstante servirmos a um Deus
Todo-Poderoso, maravilhosamente Poderoso, infinitamente Poderoso, ainda
assim somos humanos, vivemos num mundo onde alegria e tristeza, pobreza
e riqueza coexistem relativamente para cada pessoa. Se a chuva vem
para os justos e injustos, conclui-se que as dificuldades não são
diferentes. Conheço pessoas ímpias que não somente têm dinheiro, como
também esbanjam saúde; também conheço pessoas cristãs,
sinceramente cristãs, fiéis a Deus, que além de não terem saúde,
têm escassez de dinheiro, vivem de aluguel, ganham um ínfimo
salário. Também conheço o oposto: pessoas ímpias que não tem nada,
vivem na miséria, e pessoas cristãs que tem saúde e dinheiro.
A DIFERENÇA NÃO ESTÁ EM NOSSOS BOLSOS, EM NOSSOS CORPOS FÍSICOS: ESTÁ
DENTRO DE NOSSOS CORAÇÕES. Se Deus é o nosso estandarte, então as
circunstâncias, não importam quais, não impedem que sejamos
verdadeiros filhos seus, e isso mesmo diante da pior tempestade.
O que nos conforta é sabermos que em nenhum instante estaremos
sozinhos. O apóstolo Paulo, diz a Bíblia, tinha um misterioso
espinho na carne, e mesmo clamando a Deus não foi respondido. Vale
a pena perguntar: será que ele também não tinha fé?
Se formos fazer uma análise dos chamados "Heróis da Bíblia" ou dos
"Heróis da Fé", perceberemos que a vida para eles não foi tão
regalada como afirmam hoje os pregadores dessa teologia. Na antiga
dispensação, é verdade, os homens de Deus, como Abraão, Jó,
Salomão, entre outros, tiveram grandes riquezas; todavia, Moisés,
Jeremias, Isaías e outros profetas não as tiveram. Então pergunto:
Será que os primeiros eram diante de Deus melhores que os
segundos?
Se formos analisar a vida dos homens de Deus, principalmente na Nova
Aliança, após o advento de Jesus, concluiremos, começando por Jesus, que
a vida para eles não foi tão abastada assim. A Bíblia afirma que
Jesus não tinha sequer onde reclinar sua cabeça. O diabo, quando o
tentou, ofereceu-lhe as riquezas do mundo, os tesouros do reino da
terra, mas Jesus o repreendeu. Foi Jesus quem disse que o nosso
tesouro deve estar nos céus, porque lá a ferrugem não o corrói.
Por que será que em vez de ter nascido num esplendoroso palácio,
ele nasceu em uma manjedoura (Tabuleiro em que se põe comida para
os animais nas estrebarias)?
Os discípulos de Cristo também não eram ricos. O único que se deixou
levar pela ambição, Judas, teve um fim deveras trágico. Quando
algumas pessoas ricas chegavam para Jesus, como é o caso de Zaqueu
e do jovem rico, foram motivados por ele a dividirem seus bens com
o próximo. A Igreja primitiva tinha esse hábito. Diz a Bíblia que
os irmãos prósperos dividiam com os menos favorecidos socialmente
os seus bens. O apóstolo Paulo não teve, como alguns supõem, uma
vida maravilhosa. Muito pelo contrário, sofreu pelo nome de Jesus,
não somente açoites, mas prisões, e mesmo a morte. Em uma de suas
epístolas, diz ter feito tendas para se manter, não querendo
causar peso aos outros. Que diremos de João que, mesmo estando preso
numa ilha, permaneceu firme na fé, sem jamais questionar os
desígnios de Deus?
Não estou fazendo apologia do fracasso, da doença, da pobreza. Não, não
é isso! Muito pelo contrário, não há nada de errado em desejarmos
ter uma vida bem sucedida; não vejo nenhum problema em querermos
uma vida com saúde. Tudo isso é bom e importante, contudo, se
porventura nos faltarem essas coisas, nunca devemos achar que por
isso não temos fé.
Nossa fé deve ultrapassar o limite humano. Se formos agir conforme a
lógica, de acordo com o aparentemente óbvio, estaremos na verdade
praticando o contrário da fé. Somos salvos pela fé, portanto, a fé não é
uma "fórmula mágica" que faz surgir do nada aquilo que necessitamos.
Não, não, não é isso. Oferecer algo a Deus é fé: Abel ofereceu a
Deus o mais excelente sacrifício, pelo que, diz a Bíblia, obteve
testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus (Hebreus 11:4).
Agradar a Deus é fé: Enoque foi transladado para não ver a morte,
pois agradava a Deus (Hebreus 11:5). Obedecer a Deus é fé: Noé
seguiu os conselhos de Deus, construiu uma arca sob à zombaria de
seus conterrâneos, e desta forma deu continuidade à espécie humana (Hebreus 11:7).
A fé fez com que Moisés abandonasse o conforto do
Palácio de Faraó, para sofrer por seu povo. Muitos, por sua fé,
foram apedrejados, provados, perseguidos, humilhados, açoitados,
serrados pelo meio, mortos ao fio da espada. Outros, pela fé, tiveram de
andar peregrinos, vestidos de peles de ovelhas, necessitados,
aflitos, maltratados. Como diz a Bíblia, homens dos quais o mundo
não era digno. Viviam pela fé, errantes pelos desertos, pelos
montes, pelas covas, pelos antros da terra. Mesmo não tendo a
concretização da promessa, eles não desistiram, perseveraram na fé. E a
fé para eles foi sofrer pelo nome de Cristo. Muitos, movidos pela
fé, foram jogados em arenas para serem devorados por leões. E a fé
venceu.
E hoje, o que é a fé para muitos? É viver regaladamente em suas lindas
mansões, é ter o carro do ano, de preferência importado. É possuir
saúde, e muitas vezes, fama. Pregar é mais cômodo pela televisão e
no rádio. Para que ir à Índia, à Etiópia, à Somália, ao sofrido
Iraque, aos submundos das favelas, se é possível viver "rompendo
em fé" aqui em meu conforto?
O desejo por riquezas tem conduzido muitos crentes sinceros ao
afastamento do verdadeiro Evangelho, da pureza e santidade da
Palavra de Deus. Com freqüência surgem novos movimentos que, de
início, causam escândalos, porém logo são assimilados, ganham um
rótulo evangélico ou gospel e, por ausência de questionamentos,
passam a servir de modelo até mesmo para os mais conservadores.
Que diremos da música?
Em muitos casos não é possível identificar se o que há em alguns templos
é culto ou show. Várias igrejas estão perdendo sua identidade,
passando a ser conhecidas como a "igreja do Pastor fulano", "a
igreja do cantor sicrano", "a igreja do jogador beltrano" etc.
Alguns freqüentam estas igrejas porque lá congregam tal atriz ou
tal ator. Já existem Fã Clubes para evangélicos ( fã , redução de
fanático , do latim fanus, templo , em referência aos adoradores da
deusa Cibele) e bloco carnavalesco evangélico. Pedem-se
autógrafos, e a tietagem é explícita entre os admiradores das
"estrelas evangélicas".
Hoje o cantor evangélico ganha Disco de Ouro e participa de grandes
festivais. Há algum tempo foi realizado o Troféu Talento, considerado o
Grammy da música evangélica, cujo objetivo era a premiação aos
"melhores" do "show gospel". Muitos desses festivais possuem efeitos
especiais e são realizados em casas de shows de altíssimo nível. Em
muitos casos há cobrança de ingressos. Os cachês de alguns desses
irmãos cantores são excessivamente elevados, e muitos não cantam
se não houver cachê! Para muitos empresários do ramo, esses
cantores são "máquinas de fazer dinheiro" e os evangélicos de um
modo geral, nada mais são do que potenciais consumidores.
Que o Senhor tenha misericórdia!
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