27 maio 2009

O grande Rui Barbosa

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O CAUSO ABAIXO É O TÍPICO USO DO JURIDIQUÊS, TÃO COMBATIDO HOJE EM NOSSOS TRIBUNAIS.
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho
estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constata haver um ladrão
tentando levar seus patos de estimação.
Aproxima-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o
muro com seus amados patos, diz-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo o valor intrínseco dos
bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o
recôndido da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à
socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares
da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com
minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal
ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina
nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- Doutor, eu levo ou deixo os patos?

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25 maio 2009

Não tenho fé suficiente para ser ateu

Foi questionada no blog {20} www.criacionismo.com.br a veracidade histórica do Novo Testamento (NT). Há muitos bons livros no
mercado sobre isso, mas procurei reproduzir aqui, de forma resumida, as
dez razões apresentadas no livro Não tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu
(Vida), pelas quais sabemos que os autores do NT disseram a verdade.
1. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos.
A tendência da maioria dos autores é deixar de fora qualquer coisa que
prejudique sua aparência. É o "princípio do embaraço". Agora pense: Se
você e seus amigos estivessem forjando uma história que você quisesse
que fosse vista como verdadeira, vocês se mostrariam como covardes,
tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro
que não. Mas é exatamente isso que encontramos no NT. Se você fosse
autor do NT, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado
de "Satanás" por Jesus, negou o Senhor três vezes, escondeu-se durante a
crucificação e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica?
O que você acha que os autores do NT teriam feito se estivessem
inventando uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua
covardia, a repreensão que receberam, as negações e seus problemas
teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor
de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a
tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para
encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua
grande fé! Os homens que escreveram o NT também diriam que eles é que
contaram às mulheres sobre o Jesus ressurreto, que eram as únicas que
estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a
história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria
sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter
ressuscitado).

2. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos e palavras difíceis de
Jesus. Os autores do NT também são honestos sobre Jesus. Eles não apenas
registraram detalhes de uma auto-incriminação sobre si mesmos, mas
também registraram detalhes embaraçosos sobre seu líder, Jesus, que
parecem colocá-Lo numa situação bastante ruim. Exemplos: Jesus foi
considerado "fora de Si" por Sua mãe e Seus irmãos, por quem também foi
desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus
seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de "beberrão" e
de "endemoniado", além de "louco". Finalmente, foi crucificado como
malfeitor.
Entre as situações teologicamente "embaraçosas", encontramos as
seguintes: Ele amaldiçoa uma figueira (Mat. 21:18); Ele parece incapaz
de realizar milagres em Sua cidade natal, exceto curar algumas pessoas
doentes (Mar. 6:5); e parece indicar que o Pai é maior que Ele (João
14:28). Se os autores do NT queriam provar a todos que Jesus era Deus,
então por que não eliminaram dizeres e situações complicados que parecem
argumentar contra a Sua deidade? Os autores do NT foram extremamente
precisos ao registrar exatamente aquilo que Jesus disse e fez.

3. Os autores do NT incluíram as exigências de Jesus. Se os autores do
NT estavam inventando uma história, certamente não inventaram uma que
tenha tornado a vida mais fácil para eles. Esse Jesus tinha alguns
padrões bastante exigentes. O Sermão do Monte (Mateus 5), por exemplo,
não parece ser uma invenção humana. São mandamentos difíceis de serem
cumpridos pelos seres humanos e parecem ir na direção contrária dos
interesses dos homens que os registraram. E certamente são contrários
aos desejos de muitos hoje que buscam uma religião de espiritualidade
sem exigências morais.

4. Os autores do NT fizeram clara distinção entre as palavras de Jesus e
as deles. Embora não existam aspas ou travessão para indicar uma citação
no grego do século I, os autores do NT distinguiram as palavras de Jesus
de maneira bastante clara. Teria sido muito fácil para esses homens
resolverem as disputas teológicas do primeiro século colocando palavras
na boca de Jesus. E fariam isso também, caso estivessem inventando a
"história do cristianismo". Teria sido muito conveniente para esses
autores terminar todo debate ou controvérsia em torno de questões como
circuncisão, leis cerimoniais judaicas, falar em línguas, mulheres na
igreja e assim por diante, simplesmente inventando citações de Jesus.
Mas eles nunca fizeram isso. Mantiveram-se fiéis ao que Jesus disse e
não disse.

5. Os autores do NT incluíram fatos relacionados à ressurreição de Jesus
que eles não poderiam ter inventado. Eles registraram que Jesus foi
sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio # o conselho do
governo judaico que sentenciou Jesus à morte por blasfêmia. Esse não é
um fato que poderiam ter inventado. Considerando a amargura que certos
cristãos guardavam no coração contra as autoridades judaicas, por que
eles colocariam um membro do Sinédrio de maneira tão positiva? E por que
colocariam Jesus na sepultura de uma autoridade judaica? Se José não
sepultou Jesus, essa história teria sido facilmente exposta como
fraudulenta pelos inimigos judaicos do cristianismo. Mas os judeus nunca
negaram a história e jamais se encontrou uma história alternativa para o
sepultamento de Jesus.
Mateus, Marcos, Lucas e João, dizem que as mulheres foram as primeiras
testemunhas do túmulo vazio e as primeiras a saberem da ressurreição.
Uma dessas mulheres era Maria Madalena, que Lucas admite ter sido uma
mulher possuída por demônios (Luc. 8:2). Isso jamais teria sido inserido
numa história inventada. Uma pessoa possessa por demônios já seria uma
testemunha questionável, mas as mulheres em geral não eram sequer
consideradas testemunhas confiáveis naquela cultura do século I. O fato
é que o testemunho de uma mulher não tinha peso num tribunal. Desse
modo, se você estivesse inventando uma história da ressurreição de Jesus
no século I, evitaria o testemunho de mulheres e faria homens "os
corajosos" serem os primeiros a descobrir o túmulo vazio e o Jesus
ressurreto. Citar o testemunho de mulheres # especialmente de mulheres
possuídas por demônios # seria um golpe fatal à tentativa de fazer uma
mentira ser vista como verdade.
Por que o Jesus ressurreto não apareceu aos fariseus?# é uma pergunta
comum feita pelos céticos. A resposta pode ser porque não teria sido
necessário. Isso é normalmente desprezado, mas muitos sacerdotes de
Jerusalém tornaram-se cristãos. Lucas escreve: "Crescia rapidamente o
número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes
obedecia à fé" (Atos 6:7). Se você está tentando fazer que uma mentira
seja vista como verdade, não facilita as coisas para os seus inimigos,
permitindo que exponham a sua história. A conversão dos fariseus e a de
José de Arimatéia eram dois detalhes desnecessários que, se fossem
falsos, teriam acabado com a #farsa# de Lucas.
Em Mateus 28:11-15, é exposta a versão judaica para o fato do túmulo
vazio (a mentira do roubo do corpo de Jesus). Note que Mateus deixa
bastante claro que seus leitores já sabiam sobre essa explicação dos
judeus porque #essa versão se divulgou entre os judeus até o dia de
hoje#. Isso significa que os leitores de Mateus (e certamente os
próprios judeus) saberiam se ele estava ou não dizendo a verdade. Se
Mateus estava inventando a história do túmulo vazio, por que daria a
seus leitores uma maneira tão simples de expor suas mentiras? A única
explicação plausível é que o túmulo deve ter realmente ficado vazio, e
os inimigos judeus do cristianismo devem realmente ter espalhado essa
explicação específica para o túmulo vazio (de fato, Justino Mártir e
Tertuliano, escrevendo respectivamente nos anos 150 d.C. e 200 d.C.,
afirmam que as autoridades judaicas continuaram a propagar essa história
do roubo durante todo o século II).

6. Os autores do NT incluíram em seus textos, pelo menos, 30 pessoas
historicamente confirmadas. Não há maneira de os autores do NT terem
seguido adiante escrevendo mentiras descaradas sobre Pilatos, Caifás,
Festo, Félix e toda a linhagem de Herodes. Alguém os teria acusado por
terem envolvido falsamente essas pessoas em acontecimentos que nunca
ocorreram. Os autores do NT sabiam disso e não teriam incluído tantas
pessoas reais de destaque numa ficção que tinha o objetivo de enganar.

7. Os autores do NT incluíram detalhes divergentes. Os críticos são
rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos
como evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa.
Mateus diz, por exemplo, que havia um anjo no túmulo de Jesus, enquanto
João menciona a presença de dois anjos. Não seria isso uma contradição
que derrubaria a credibilidade desses relatos? Não, mas exatamente o
oposto é verdadeiro: detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a
questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. Como?
Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório.
Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos
precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo
contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo,
se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de
diferentes jornais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes
diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes
raramente vêem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente
com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (Jesus
ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos
havia no túmulo). De fato, quando um juiz ouve duas testemunhas que dão
testemunho idêntico, palavra por palavra, o que corretamente presume?
Conluio. As testemunhas se encontraram antecipadamente para que suas
versões do fato concordassem.
À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores
não se reuniram para harmonizar seus testemunhos. Isso significa que
certamente não estavam tentando fazer uma mentira passar por verdade. Se
estavam inventando a história do NT, teriam se reunido para
certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes.
Ironicamente, não é o NT que é contraditório, mas sim os críticos. Por
um lado, os críticos afirmam que os livros sinóticos (Mateus, Marcos
e Lucas) são por demais uniformes para serem fontes independentes. Por
outro lado, afirmam que eles são muito divergentes para estarem contando
a verdade. Desse modo, o que eles são? Muito uniformes ou muito
divergentes? Na verdade, são a mistura perfeita de ambos: são tanto
suficientemente uniformes e suficientemente divergentes (mas não tanto)
exatamente porque são relatos de testemunhas oculares independentes dos
mesmos fatos. Seria de esperar ver o mesmo fato importante e detalhes
menores diferentes em manchetes de jornais independentes relatando o
mesmo acontecimento.
Simon Greenleaf, professor de Direito da Universidade de Harvard que
escreveu um estudo-padrão sobre o que constitui evidência legal,
creditou sua conversão ao cristianismo ao seu cuidadoso exame das
testemunhas do evangelho. Se alguém conhecia as características do
depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf.
Ele concluiu que os quatro testemunhos #seriam aceitos como provas em
qualquer tribunal de justiça, sem a menor hesitação# ( The Testimony of
the Evangelists , págs. 9 e 10).

8. Os autores do NT desafiam seus leitores a conferir os fatos
verificáveis, até mesmo fatos sobre milagres. Lucas diz isso a Teófilo
(Luc. 1:1-4); Pedro diz que os apóstolos não seguiram fábulas
engenhosamente inventadas, mas que foram testemunhas oculares da
majestade de Cristo (II Pe.1:16); Paulo faz uma ousada declaração a
Festo e ao rei Agripa sobre o Cristo ressurreto (Atos 26) e reafirma um
antigo credo que identificou mais de 500 testemunhas oculares do Cristo
ressurreto (I Cor. 15). Além disso, Paulo faz uma afirmação aos cristãos
de Corinto que nunca teria feito a não ser que estivesse dizendo a
verdade. Em sua segunda carta aos corintios, ele declara que
anteriormente realizara milagres entre eles (II Cor. 12:12). Por que
Paulo diria isso a eles a não ser que realmente tivesse realizado os
milagres? Ele teria destruído completamente sua credibilidade ao pedir
que se lembrassem de milagres que nunca realizara diante deles.

9. Os autores do NT descrevem milagres da mesma forma que descrevem
outros fatos históricos: por meio de um relato simples e sem retoques.
Detalhes embelezados e extravagantes são fortes sinais de que um relato
histórico tem elementos lendários. Note este trecho da narração da
ressurreição no livro apócrifo Evangelho de Pedro : "...três homens que
saíam do sepulcro, dois dos quais servindo de apoio a um terceiro, e uma
cruz que ia atrás deles. E a cabeça dos dois primeiros chegava até o
céu, enquanto a daquele que era conduzido por eles ultrapassava os céus.
E ouviram uma voz vinda dos céus que dizia: #Pregaste para os que
dormem?# E da cruz fez-se ouvir uma resposta: #Sim".
Provavelmente seria assim que alguém teria escrito se estivesse
inventando ou embelezando a história da ressurreição de Jesus. Mas os
relatos da ressurreição de Jesus no NT não contêm nada semelhante a
isso. Os textos fornecem descrições triviais quase insípidas da
ressurreição. Confira em Marcos 16:4-8, Lucas 24:2-8, João 20:1-12 e
Mateus 28:2-7.

10. Os autores do NT abandonaram parte de suas crenças e práticas
sagradas de longa data, adotaram novas crenças e práticas e não negaram
seu testemunho sob perseguição ou ameaça de morte. E não são apenas os
autores do NT que fazem isso. Milhares de judeus, dentre eles sacerdotes
fariseus, converteram-se ao cristianismo e juntam-se aos apóstolos ao
abandonarem o sistema de sacrifícios de animais prescrito por Moisés, ao
aceitar Jesus como integrante da Divindade (o que era inaceitável
naquela cultura estritamente monoteísta) e ao abandonar a idéia de um
Messias conquistador terrestre.
Além disso, conforme observa Peter Kreeft, #por que os apóstolos
mentiriam? ... se eles mentiram, qual foi sua motivação, o que eles
obtiveram com isso? O que eles ganharam com tudo isso foi incompreensão,
rejeição, perseguição, tortura e martírio. Que bela lista de prêmios!#
Embora muitas pessoas venham a morrer por uma mentira que considerem
verdade, nenhuma pessoa sã morrerá por aquilo que sabe que é uma mentira.
Conclusão de Norman Geisler e Frank Turek, autores de "Não Tenho Fé
Suficiente Para Ser Ateu" : #Quando Jesus chegou, a maioria dos autores
do NT era de judeus religiosos que consideravam o judaísmo a única
religião verdadeira e que se consideravam o povo escolhido de Deus.
Alguma coisa dramática deve ter acontecido para tirá-los do sono
dogmático e levá-los a um novo sistema de crenças que não lhes prometia
nada além de problemas na Terra. À luz de tudo isso, não temos fé
suficiente para sermos céticos em relação ao Novo Testamento.

Texto extraído do site:
www.arqueologiadabiblia.com

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22 maio 2009

O Diário de Tininha

Diário de um bebê que está por nascer

5 de outubro: Hoje começa a minha vida. Meus pais ainda não sabem. Sou tão
pequena quanto uma semente de maçã, mas já
existo e sou única no mundo e diferente de
todas as demais. E, apesar de quase não ter forma ainda, serei uma
menina. Terei cabelos loiros e olhos azuis, e sei que gostarei muito de
flores. Os cientistas diriam que tudo isto já
tenho impresso no meu código genético.

19 de outubro: Cresci um pouco, mas ainda sou muito pequena para poder
fazer algo por mim mesma. A mamãe faz tudo
por mim. Mas o mais engraçado é que nem
sabe que está me carregando consigo, precisamente debaixo de seu
coração, alimentando-me com seu próprio sangue.

23 de outubro: Minha boca começa a tomar forma. Parece incrível! Dentro
de um ano, mais ou menos, estarei rindo, e
mais tarde já poderei falar. A partir de agora sei
qual será minha primeira palavra ... Mamãe! Quem se atreve a dizer que
ainda não sou uma pessoa viva? É claro que sou.
Tal como a diminuta migalha de pão é verdadeiramente pão.

27 de outubro: Hoje meu coração começou a bater sozinho. De agora em
diante baterá constantemente toda minha
vida, sem parar para descansar. Então, depois de muitos anos, se
sentirá cansado e irá parar e eu morrerei de forma natural. Mas agora
não estou no final, e sim no começo da minha vida.

2 de novembro: A cada dia cresço um pouquinho, meus braços e pernas
estão tomando forma. Mas quanto terei de
esperar até que minhas perninhas me levem correndo
para os braços da minha mãe, até que meus braços possam abraçar meu pai!

12 de novembro: Em minhas mãos começam a se formar alguns pequeninos
dedos. É estranho como são pequenos;
contudo, como serão maravilhosos! Acariciarão um cachorrinho,
lançarão uma bola, irão recolher flores, tocarão outra mão. Talvez algun
dia meus dedos possam tocar violino ou pintar um quadro.

20 de novembro: Hoje o médico anunciou a minha mamãe pela primeira vez,
que eu estou vivendo aqui debaixo do seu
coração. Não se sente feliz mamãezinha? Logo estarei
em teus braços!

25 de novembro: Meus pais ainda não sabem que sou uma menina, talvez
esperem um menino. Ou talvez gêmeos! Mas lhes farei uma surpresa; quero
me chamar Cristina, como minha mãe.

13 de dezembro: Já posso ver um pouquinho, mas estou rodeada ainda pela
escuridão. Mas logo, meus olhos se abrirão
para o mundo do sol, das flores, e dos sonhos. Nunca
vi o mar, nem uma montanha, nem mesmo o arco iris. Como serão na
realidade? Como é você, mamãe?

24 de dezembro: Mamãe, posso ouvir teu coração bater. Você pode ouvir o
meu? Lup-dup, lup-dup..., mamãe você vai ter
uma filhinha saudável. Sei que algumas crianças
têm dificuldades para entrar no mundo, mas há médicos que ajudam as mães
e os recém nascidos. Sei também que muitas
mães teriam preferido não ter o filho que
levam no ventre. Mas eu estou ansiosa para estar nos teus braços, tocar
o seu rosto, olhar nos teus olhos, Você me espera com a mesma alegria que eu?

05 de janeiro: O que está acontecendo? O que estão fazendo? Mamãe, não
deixe que me matem! Não!, não!

Mamãe, por que você permitiu que acabassem com minha vida???
Teríamos sido tão felizes juntas! ...
Hoje era meu aniversário e eu iria completar três mêses de vida.
Pensei que você, mamãe, fosse dar-me uma festinha, como todas as mães fazem.
Pensei que você fosse dar no papai, o beijo que gostaria de dar em mim.
Por que mamãe???
Por que logo no meu aniversário???
Eu sabia que por alguns mêsês eu iria estragar a sua elegância, porém eu
havia prometido a mim mesma que ficaria apertadinha para não lhe prejudicar.
Eu deixaria para crescer depois que nascesse para o mundo.
Eu sabia que em seu ventre a escuridão seria grande, entretanto, mais tarde,
eu iria lhe contar a minha felicidade em tê-la como minha mamãe.
Olha, eu iria conversar com você quando estivesse triste, fazendo tudo
para ver a alegria brotar novamente em seus lábios, com aquele sorriso
que, às vezes, só você sabe dar.
Eu faria tudo para que essa alegria durasse para sempre.
Sabe, eu pensei que os pais amassem seus filhos, a ponto de darem
a própria vida por eles, contudo, você não me deixou viver a vida que eu mal começava.
Eu lhe perdôo, apesar de tudo.
E se de tudo fica um pouco, espero que tenha ficado um pouco de mim em Você...


Aborto, segundo a Bíblia

No Antigo Testamento, a Bíblia se utiliza das mesmas palavras hebraicas
para descrever os ainda não nascidos, os bebês e as crianças. No Novo
Testamento, o grego se utiliza, também, das mesmas palavras para
descrever crianças ainda não nascidas, os bebês e as crianças, o
que indica uma continuidade desde a concepção à fase de criança, e
daí até a idade adulta.
A palavra grega brephos é empregada com freqüência para os
recém-nascidos, para os bebês e para as crianças mais velhas (Lucas
2.12,16; 18.15; 1 Pedro 2.2). Em Atos 7.19, por exemplo, brephos
refere-se às crianças mortas por ordem de Faraó. Mas em Lucas 1.41,44 a
mesma palavra é empregada referindo-se a João Batista, enquanto ainda
não havia nascido, estando no ventre de sua mãe.
Aos olhos de Deus ele era indistinguível com relação a outras crianças.
O escritor bíblico também nos informa que João Batista foi cheio do
Espírito Santo enquanto ainda se encontrava no ventre materno,
indicando, com isso, o inconfundível ser (Lucas 1.15). Mesmo três
meses antes de nascer, João conseguia fazer um miraculoso
reconhecimento de Jesus, já presente no ventre de Maria (Lucas 1.44).
Com base nisso, encontramos a palavra grega huios significando
"filho", utilizada em Lucas 1.36, descrevendo a existência de João
Batista no ventre materno, antes de seu nascimento (seis meses
antes, para ser preciso).
A palavra hebraica yeled é usada normalmente para se referir a
filhos (ou seja, uma criança, um menino etc.). Mas, em Êxodo 21.22, é
utilizada para se referir a um filho no ventre. Em Gênesis 25.22 a
palavra yeladim (filhos) é usada para se referir aos filhos de Rebeca
que se empurravam enquanto ainda no ventre materno. Em Jó 3.3, Jó
usa a palavra geber para descrever sua concepção: "Foi concebido
um homem! [literalmente, foi concebida uma criança homem]".
Mas a palavra geber é um substantivo hebraico normalmente
utilizado para traduzir a idéia de um "homem", um "macho" ou ainda um
"marido". Em Jó 3.11-16, Jó equipara a criança ainda não nascida
("crianças que nunca viram a luz") com reis, conselheiros e príncipes.
Todos esses textos bíblicos e muitos outros indicam que Deus não faz
distinção entre vida em potencial e vida real, ou em delinear estágios
do ser – ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre
materno em qualquer que seja o estágio e um recém-nascido ou uma
criança. As Escrituras pressupõem reiteradamente a continuidade de
uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Aliás, não há
qualquer palavra especial utilizada exclusivamente para descrever
o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido,
no tocante a ser e com referência a seu valor pessoal.
E ainda, o próprio Deus se relaciona com pessoas ainda não nascidas. No
Salmo 139.16, o salmista diz com referência a Deus: "Os teus olhos me
viram a substância ainda informe". O autor se utiliza da palavra golem,
traduzida como "substância", para descrever-se a si mesmo enquanto ainda
no ventre materno. Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado
pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado
embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado
antes do feto estar fisicamente "formado" numa miniatura de ser humano.
Sabemos hoje que o embrião é "informe" durante apenas quatro ou cinco
semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da "substância
ainda informe" (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança
e a está moldando (Salmo 139.13-16).
Outros textos da Bíblia também indicam que Deus se relaciona com o feto
como pessoa. Jó 31.15 diz: "Aquele que me formou no ventre materno, não
os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?"
Em Jó 10.8,11 lemos: "As tuas mãos me plasmaram e me
aperfeiçoaram... De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões
me entreteceste". O Salmo 78.5-6 revela o cuidado de Deus com os
"filhos que ainda hão de nascer".
O Salmo 139.13-16 afirma: "Pois tu formaste o meu interior, tu me
teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo
assombrosamente maravilhoso me formaste... Os meus ossos não te foram
encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas
profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda
informe". Esses textos bíblicos revelam os pronomes pessoais que são
utilizados para descrever o relacionamento entre Deus e os que
estão no ventre materno.
Esses versículos e outros (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15, 16; Isaías
49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se
encontram no ventre materno como pessoas. Não há outra conclusão
possível. Precisamos concordar com o teólogo John Frame: "Não há nada
nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, que uma
criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa
humana, a partir do momento da concepção".[1]
À luz do acima exposto, precisamos concluir que esses textos das
Escrituras demonstram que a vida humana pertence a Deus, e não a nós, e
que, por isso, proíbem o aborto. A Bíblia ensina que, em última análise,
as pessoas pertencem a Deus porque todos os homens foram criados por
Ele.
E você já fez um aborto?
Você já fez um aborto? Onde quer que se encontre, queremos que você
saiba que o perdão genuíno e a paz interior são possíveis, e que uma
verdadeira libertação do passado pode ser experimentada.
Deus é um Deus perdoador:
"Porém tu [és]... Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em
irar-te, e grande em bondade" (Neemias 9.17b).
"Pois tu, SENHOR, és bom e compassivo; abundante em benignidade para
com todos os que te invocam" (Salmo 86.5).
Aliás, Deus não apenas perdoa, Ele, de fato, "esquece":
"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e
dos teus pecados não me lembro" (Isaías 43.25).
Você poderá encontrar perdão agora mesmo simplesmente colocando sua
confiança em Jesus Cristo. Você pode confiar nEle, virando as costas
para os caminhos que você tem seguido, reconhecendo e confessando
seus pecados a Ele, e voltando-se para Cristo com a confiança de
que através do Seu poder, Ele haverá de lhe conceder perdão e uma
nova vida. Se você deseja ter seus pecados perdoados, se deseja
estar livre da culpa, se quer ter nova vida em Cristo, se quer
conhecer a Deus, e se você sabe que é amada por Ele, sugerimos a
seguinte oração:
Querido Deus, eu confesso o meu pecado. Meu aborto foi coisa errada
e eu agora venho à Tua presença em busca de perdão e de purificação.
Peço que não apenas me perdoes esse pecado, mas que me perdoes
todos os pecados de minha vida. Eu aceito que Jesus Cristo é Deus,
que Ele morreu na cruz para pagar a penalidade pelos meus pecados,
que ressuscitou ao terceiro dia, e que está vivo hoje. Eu O recebo
agora como meu Senhor e Salvador. Eu agora aceito o perdão que Tu
providenciaste gratuitamente na cruz e que me prometeste na
Bíblia. Torna o teu perdão real para mim. Eu peço isso em nome de
Jesus. Amém.
John Ankerberg e John Weldon
Fonte: www chamada.com.br

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15 maio 2009

O APÓSTOLO PAULO( I ) - A SUA VIDA

Apresentamos, aqui, uma série de três estudos focalizando a vida,
ministério, prisão e julgamento do apóstolo Paulo, o apóstolo para os gentios.


"Ele era um homem de pequena estatura", afirmam os Atos de Paulo,
escrito apócrifo do segundo século, "parcial-mente calvo, pernas
arqueadas, de compleição robusta, olhos próximos um do outro, e
nariz um tanto curvo."
Se esta descrição merecer crédito, ela fala um bocado mais a respeito
desse homem natural de Tarso, que viveu quase sete décadas cheias de
acontecimentos após o nascimento de Jesus. Ela se encaixaria no registro
do próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto. "As
cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença
pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível" (2 Co 10:10).
Sua verdadeira aparência teremos de deixar por conta dos artistas,
pois não sabemos ao certo. Matérias mais importantes, porém,
demandam atenção — o que ele sentia, o que ele ensinava, o que ele
fazia.
Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e
obra de Cristo, e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. As
cartas procedentes de sua pena, preservadas no Novo Testamento, dão
eloqüente testemunho da paixão de suas convicções e do poder de sua
lógica.
Aqui e acolá em suas cartas encontramos pedacinhos de autobiografia.
Também temos, nos Atos dos Apóstolos, um amplo esboço das atividades de
Paulo. Lucas, autor dos Atos, era médico e historiador gentio do
primeiro século.
Assim, enquanto o teólogo tem material suficiente para criar
intérminos debates acerca daquilo em que Paulo acreditava, o
historiador dispõe de parcos registros. Quem se der ao trabalho de
escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo
que só poderão ser preenchidas por conjeturas.
A semelhança de um meteoro brilhante, Paulo lampeja repentinamente
em cena como um adulto numa crise religiosa, resolvida pela
conversão. Desaparece por muitos anos de preparação. Reaparece no
papel de estadista missionário, e durante algum tempo podemos
acompanhar seus movimentos através do horizonte do primeiro século.
Antes de sua morte, ele flameja até entrar nas sombras além do
alcance da vista.

Sua Juventude:
Antes, porém, que possamos entender Paulo, o missionário cristão aos
gentios, é necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso, o
jovem fariseu. Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua
identidade: "Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não
insignificante da Cilícia" (At 21:39). Esta afirmação nos dá o
primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo.
A) Da Cidade de Tarso. No primeiro século, Tarso era a principal
cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor.
Embora localizada cerca de 16 km no interior, a cidade era um
importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que
passava no meio dela.
Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes, cobertas de neve, as
montanhas do Tauro, que forneciam a madeira que constituía um dos
principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses. Uma
im­portante estrada romana corria ao norte, fora da cidade e através
de um estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como "Portas
Cilicianas". Muitas lutas militares antigas foram travadas nesse
passo entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e
do Oeste, e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as
direções, por terra e por mar. Tarso possuía uma preciosa herança.
Os fatos e as lendas se entremesclavam, tornando seus cidadãos
ferozmente orgulhosos de seu passado.
O general romano Marco Antônio
concedeu-lhe o privilégio de libera
civitas ("cidade livre") em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse
parte de uma província romana, era autônoma, e não estava sujeita a
pagar tributo a Roma. As tradições democráticas da cidade-estado grega
de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo.
Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Em seus escritos, encontramos
reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. Em nítido
contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de
Paulo têm origem na vida citadina.
O reflexo do sol mediterrânico nos
capacetes e lanças romanos teriam
sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. Talvez
fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à
guerra cristã, na qual ele insiste em que "as armas da nossa milícia
não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir
fortalezas" (2 Co 10:4).
Paulo escreve de "naufragar" (1 Tm
1:19), do "oleiro" (Rm 9:21), de
ser conduzido em "triunfo" (2 Co 2:14). Ele compara o
"tabernáculo terrestre" desta vida a um edifício de Deus, casa não
feita por mãos, eterna, nos céus" (2 Co 5:1). Ele toma a palavra
grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo:
"nos tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo" (1 Co­ 4:9).
Tais declarações refletem a vida típica da cidade em que Paulo passou
os anos formativos da sua meninice. Assim as vistas e os sons deste
azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual
a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis.
Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como "cidade não
insignificante.
Os filósofos de Tarso eram quase
todos estóicos. As idéias estóicas,
embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres
pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido
exemplo.
Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não
passava de um menino pequeno, por muito tempo o seu nome permaneceu
como herói em Tarso. É quase impossível que o jovem Saulo não
tivesse ouvido algo a respeito dele.
Quanto, exatamente, foi o contato que o jovem Saulo teve com esse
mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas
as marcas da ampla educação e contato com a erudição grega o
acompanham quando homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais
questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que
ele representava. Também estava cônscio dos perigos das filosofias
religiosas especulativas dos gregos. "Cuidado que ninguém vos venha
a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos
homens... e não segundo Cristo", foi sua advertência à igreja de
Colossos (Cl 2:8).
B) Cidadão Romano. Paulo não era apenas "cidadão de uma cidade não
insignificante", mas também cidadão romano. Isso nos dá ainda outra
pista para o fundo histórico de sua meninice.
Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um
centurião romano e com um tribuno romano. (Centurião era um militar de
alta patente no exército romano com cem homens sob seu
comando; o tribuno, neste caso, seria
um comandante militar.) Por ordens do tribuno, o centurião estava
prestes a açoitar Paulo. Mas o Apóstolo protestou: "Ser-vos-á
porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?"?
(At 22:25). O centurião levou a notícia ao tribuno, que fez mais
inquirições. A ele, Paulo não só afirmou sua cidadania romana mas
explicou como se tornara tal: "Por direito de nascimento" (At
22:28). Isso implica que seu pai fôra cidadão romano.
Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. O tribuno, ou
comandante, desta narrativa, declara haver "comprado" sua cidadania por
"grande soma de dinheiro" (At 22:28). No mais das vezes, porém,
a cidadania era uma recompensa por algum serviço de distinção fora
do comum ao Império Romano, ou era concedida quando um escravo
recebia a liberdade.
A cidadania romana era preciosa, pois acarretava direitos e
privilégios especiais como, por exemplo, a isenção de certas formas
de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem
crucificado.
Todavia, o relacionamento dos
judeus com Roma não era de todo feliz.
Raramente os judeus se tornavam cidadãos romanos. Quase todos os
judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da Palestina.
C) De Descendência Judaica. Devemos, também, considerar a
ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua
família. Ele se descreve aos cristãos de Filipos como "da linhagem
de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei,
fariseu" (Fp 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de "israelita
"da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim (Rm 11:1).
Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de
seu povo, Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de
Israel, Saul, em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado
Saulo.
A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança
religiosa de Israel aos filhos. O menino começava a ler as
Escrituras com apenas cinco anos de idade. Aos dez, estaria
estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim,
ele se aprofundou na história, nos costumes, nas Escrituras e
na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era
fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus
helenistas.
Dentre os principais "partidos" dos
judeus, os fariseus eram os mais
estritos.
Estavam decididos a resistir aos esforços de seus
conquistadores romanos de impor-lhes novas crenças e novos estilos
de vida. No primeiro século eles se haviam tornado a "aristocracia
espiritual" de seu povo. Paulo era fariseu, "filho de fariseus" (At
23.6). Podemos estar certos, pois, de que seu preparo religioso
tinha raízes na lealdade aos regulamentos da Lei, conforme a
interpretavam os rabinos. Aos treze anos ele devia assumir
responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.
Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade "aos pés de
Gamaliel", onde foi instruído "segundo a exatidão da lei..." (At22:3).
Gamaliel era neto de Hillel, um dos maiores rabinos judeus. A
escola de Hilel era a mais liberal das duas principais escolas de
pensamento entre os fariseus. Em Atos 5:33-39 temos um vislumbre de
Gamaliel, descrito como "acatado por todo o povo."
Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte
que pudessem, mais tarde, ensinar sem tornar-se um ônus para o povo.
Paulo escolheu uma indústria típica de Tarso, fabricar tendas
de tecido de pêlo de cabra. Sua perícia nessa profissão
proporcionou-lhe mais tarde um grande incremento em sua obra
missionária.
Após completar seus estudos com Gamaliel, esse jovem fariseu
provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou alguns anos. Não
temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou que
o tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra.
Da pena do próprio Paulo bem como do livro de Atos vem-nos a
informação de que depois ele voltou a Jerusalém e dedicou suas
energias à perseguição dos judeus que seguiam os ensinamentos de
Jesus de Nazaré. Paulo nunca pôde perdoar-se pelo ódio e pela
violência que caracterizaram sua vida durante esses anos. "Porque eu sou
o menor dos apóstolos", escreveu ele mais tarde, "..."pois
persegui a igreja de Deus" (1 Co 15:9). Em outras passagens ele se
denomina "perseguidor da igreja" (Fp 3:6), "como sobremaneira
perseguia eu a igreja de Deus e a devastava" (Gl 1:13).
Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo
jorra alguma luz sobre a questão de como um homem de consciência tão
sensível pudesse participar dessa violência contra o seu próprio
povo."... noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas
obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade"
(1 Tm 1:13). A história da religião está repleta de exemplos de
outros que cometeram o mesmo erro. No mesmo trecho, Paulo refere a si
próprio como "o principal" dos pecadores" (1 T 1:15), sem dúvida
alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores.
D) A Morte de Estevão. Não fôra pelo modo como Estevão morreu (At
7:54-60), o jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento
sem comoção alguma, ele que havia tomado conta das vestes dos
apedrejadores. Teria parecido apenas outra execução legal.
Mas quando Estevão se ajoelhou e as
pedras martirizantes choveram sobre sua cabeça indefesa, ele deu
testemunho da visão de Cristo na glória, e
orou: "Senhor, não lhes imputes este pecado" (Atos 7:60).
Embora essa crise tenha lançado Paulo em sua carreira como caçador
de hereges, é natural supor que as palavras de Estevão tenham
permanecido com ele de sorte que ele se tornou "caçado" também;
—caçado pela consciência.
E) Uma Carreira de Perseguição . Os eventos que se seguiram ao
martírio de Estevão não são agradáveis de ler. A história é narrada num
só fôlego: "Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e,
arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere" (Atos 8:3).
Há um registro fiel desses fatos no livro "A história dos hebreus"
do historiador Flávio Josefo, testemunha ocular desses momentos.

A Conversão:
A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a
semente da fé. Os crentes se dispersaram e em breve
a nova fé estava sendo pregada por toda a parte (cf. Atos 8:4).
"Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor" (Atos
9:1), Saulo resolveu que já era tempo de
levar a campanha a algumas das "cidades estrangeiras" nas quais se
abrigaram os discípulos dispersos. O comprido braço do Sinédrio
podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império em questões de
religião. Nesse tempo, os seguidores de Cristo ainda eram
considerados como seita herética.
Assim, Saulo partiu para Damasco,
cerca de 240 km distante, provido de credenciais que
lhe dariam autoridade para, encontrando os "que eram
do caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para
Jerusalém" (Atos 9:2).
Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem, dia após
dia, no pó da estrada e sob o calor escaldante do sol? A
auto-revelação intensamente pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos
uma pista. Vemos aqui a luta de um homem consciencioso para
encontrar paz mediante a observância de todas as pormenorizadas
ramificações da Lei.
Isso o libertou? A resposta de Paulo, baseada em sua experiência,
foi negativa. Pelo contrário, tornou-se um peso e uma tensão
intoleráveis. A influência do ambiente helertístico de Tarso não deve
ser menosprezada ao tentarmos encontrar o motivo da frustração
interior de Saulo. Depois de seu retorno a Jerusalém, ele deve ter
achado irritante o rígido farisaísmo, muito embora professasse
aceitá-lo de todo o coração. Ele havia respirado ar mais livre
durante a maior parte de sua vida, e não poderia renunciar à liberdade a
que estava acostumado.
Contudo, era de natureza espiritual o motivo mais profundo de sua
tristeza. Ele tentara guardar a Lei, mas descobrira que não poderia
fazê-lo em virtude de sua natureza pecaminosa decaída. De que modo,
pois, poderia ele ser reto para com Deus?
Com Damasco à vista, aconteceu uma coisa momentosa. Num lampejo
cegante, Paulo se viu despido de todo o orgulho e presunção, como
perseguidor do Messias de Deus e do seu povo. Estevão estivera
certo, e ele errado. Em face do Cristo vivo, Saulo capitulou. Ele
ouviu uma voz que dizia: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues;...
levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer"
(At 9:5-6). E Saulo obedeceu.
Durante sua estada na cidade,
"Esteve três dias sem ver, durante os
quais nada comeu nem bebeu" (Atos 9:9). Um discípulo residente em
Damasco, por nome Ananias, tornou-se amigo e conselheiro, um homem
que não teve receio de crer que a conversão de Paulo' fôra
autêntica. Mediante as orações de Ananias, Deus restaurou a vista a Paulo.

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