22 maio 2009

O Diário de Tininha

Diário de um bebê que está por nascer

5 de outubro: Hoje começa a minha vida. Meus pais ainda não sabem. Sou tão
pequena quanto uma semente de maçã, mas já
existo e sou única no mundo e diferente de
todas as demais. E, apesar de quase não ter forma ainda, serei uma
menina. Terei cabelos loiros e olhos azuis, e sei que gostarei muito de
flores. Os cientistas diriam que tudo isto já
tenho impresso no meu código genético.

19 de outubro: Cresci um pouco, mas ainda sou muito pequena para poder
fazer algo por mim mesma. A mamãe faz tudo
por mim. Mas o mais engraçado é que nem
sabe que está me carregando consigo, precisamente debaixo de seu
coração, alimentando-me com seu próprio sangue.

23 de outubro: Minha boca começa a tomar forma. Parece incrível! Dentro
de um ano, mais ou menos, estarei rindo, e
mais tarde já poderei falar. A partir de agora sei
qual será minha primeira palavra ... Mamãe! Quem se atreve a dizer que
ainda não sou uma pessoa viva? É claro que sou.
Tal como a diminuta migalha de pão é verdadeiramente pão.

27 de outubro: Hoje meu coração começou a bater sozinho. De agora em
diante baterá constantemente toda minha
vida, sem parar para descansar. Então, depois de muitos anos, se
sentirá cansado e irá parar e eu morrerei de forma natural. Mas agora
não estou no final, e sim no começo da minha vida.

2 de novembro: A cada dia cresço um pouquinho, meus braços e pernas
estão tomando forma. Mas quanto terei de
esperar até que minhas perninhas me levem correndo
para os braços da minha mãe, até que meus braços possam abraçar meu pai!

12 de novembro: Em minhas mãos começam a se formar alguns pequeninos
dedos. É estranho como são pequenos;
contudo, como serão maravilhosos! Acariciarão um cachorrinho,
lançarão uma bola, irão recolher flores, tocarão outra mão. Talvez algun
dia meus dedos possam tocar violino ou pintar um quadro.

20 de novembro: Hoje o médico anunciou a minha mamãe pela primeira vez,
que eu estou vivendo aqui debaixo do seu
coração. Não se sente feliz mamãezinha? Logo estarei
em teus braços!

25 de novembro: Meus pais ainda não sabem que sou uma menina, talvez
esperem um menino. Ou talvez gêmeos! Mas lhes farei uma surpresa; quero
me chamar Cristina, como minha mãe.

13 de dezembro: Já posso ver um pouquinho, mas estou rodeada ainda pela
escuridão. Mas logo, meus olhos se abrirão
para o mundo do sol, das flores, e dos sonhos. Nunca
vi o mar, nem uma montanha, nem mesmo o arco iris. Como serão na
realidade? Como é você, mamãe?

24 de dezembro: Mamãe, posso ouvir teu coração bater. Você pode ouvir o
meu? Lup-dup, lup-dup..., mamãe você vai ter
uma filhinha saudável. Sei que algumas crianças
têm dificuldades para entrar no mundo, mas há médicos que ajudam as mães
e os recém nascidos. Sei também que muitas
mães teriam preferido não ter o filho que
levam no ventre. Mas eu estou ansiosa para estar nos teus braços, tocar
o seu rosto, olhar nos teus olhos, Você me espera com a mesma alegria que eu?

05 de janeiro: O que está acontecendo? O que estão fazendo? Mamãe, não
deixe que me matem! Não!, não!

Mamãe, por que você permitiu que acabassem com minha vida???
Teríamos sido tão felizes juntas! ...
Hoje era meu aniversário e eu iria completar três mêses de vida.
Pensei que você, mamãe, fosse dar-me uma festinha, como todas as mães fazem.
Pensei que você fosse dar no papai, o beijo que gostaria de dar em mim.
Por que mamãe???
Por que logo no meu aniversário???
Eu sabia que por alguns mêsês eu iria estragar a sua elegância, porém eu
havia prometido a mim mesma que ficaria apertadinha para não lhe prejudicar.
Eu deixaria para crescer depois que nascesse para o mundo.
Eu sabia que em seu ventre a escuridão seria grande, entretanto, mais tarde,
eu iria lhe contar a minha felicidade em tê-la como minha mamãe.
Olha, eu iria conversar com você quando estivesse triste, fazendo tudo
para ver a alegria brotar novamente em seus lábios, com aquele sorriso
que, às vezes, só você sabe dar.
Eu faria tudo para que essa alegria durasse para sempre.
Sabe, eu pensei que os pais amassem seus filhos, a ponto de darem
a própria vida por eles, contudo, você não me deixou viver a vida que eu mal começava.
Eu lhe perdôo, apesar de tudo.
E se de tudo fica um pouco, espero que tenha ficado um pouco de mim em Você...


Aborto, segundo a Bíblia

No Antigo Testamento, a Bíblia se utiliza das mesmas palavras hebraicas
para descrever os ainda não nascidos, os bebês e as crianças. No Novo
Testamento, o grego se utiliza, também, das mesmas palavras para
descrever crianças ainda não nascidas, os bebês e as crianças, o
que indica uma continuidade desde a concepção à fase de criança, e
daí até a idade adulta.
A palavra grega brephos é empregada com freqüência para os
recém-nascidos, para os bebês e para as crianças mais velhas (Lucas
2.12,16; 18.15; 1 Pedro 2.2). Em Atos 7.19, por exemplo, brephos
refere-se às crianças mortas por ordem de Faraó. Mas em Lucas 1.41,44 a
mesma palavra é empregada referindo-se a João Batista, enquanto ainda
não havia nascido, estando no ventre de sua mãe.
Aos olhos de Deus ele era indistinguível com relação a outras crianças.
O escritor bíblico também nos informa que João Batista foi cheio do
Espírito Santo enquanto ainda se encontrava no ventre materno,
indicando, com isso, o inconfundível ser (Lucas 1.15). Mesmo três
meses antes de nascer, João conseguia fazer um miraculoso
reconhecimento de Jesus, já presente no ventre de Maria (Lucas 1.44).
Com base nisso, encontramos a palavra grega huios significando
"filho", utilizada em Lucas 1.36, descrevendo a existência de João
Batista no ventre materno, antes de seu nascimento (seis meses
antes, para ser preciso).
A palavra hebraica yeled é usada normalmente para se referir a
filhos (ou seja, uma criança, um menino etc.). Mas, em Êxodo 21.22, é
utilizada para se referir a um filho no ventre. Em Gênesis 25.22 a
palavra yeladim (filhos) é usada para se referir aos filhos de Rebeca
que se empurravam enquanto ainda no ventre materno. Em Jó 3.3, Jó
usa a palavra geber para descrever sua concepção: "Foi concebido
um homem! [literalmente, foi concebida uma criança homem]".
Mas a palavra geber é um substantivo hebraico normalmente
utilizado para traduzir a idéia de um "homem", um "macho" ou ainda um
"marido". Em Jó 3.11-16, Jó equipara a criança ainda não nascida
("crianças que nunca viram a luz") com reis, conselheiros e príncipes.
Todos esses textos bíblicos e muitos outros indicam que Deus não faz
distinção entre vida em potencial e vida real, ou em delinear estágios
do ser – ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre
materno em qualquer que seja o estágio e um recém-nascido ou uma
criança. As Escrituras pressupõem reiteradamente a continuidade de
uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Aliás, não há
qualquer palavra especial utilizada exclusivamente para descrever
o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido,
no tocante a ser e com referência a seu valor pessoal.
E ainda, o próprio Deus se relaciona com pessoas ainda não nascidas. No
Salmo 139.16, o salmista diz com referência a Deus: "Os teus olhos me
viram a substância ainda informe". O autor se utiliza da palavra golem,
traduzida como "substância", para descrever-se a si mesmo enquanto ainda
no ventre materno. Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado
pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado
embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado
antes do feto estar fisicamente "formado" numa miniatura de ser humano.
Sabemos hoje que o embrião é "informe" durante apenas quatro ou cinco
semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da "substância
ainda informe" (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança
e a está moldando (Salmo 139.13-16).
Outros textos da Bíblia também indicam que Deus se relaciona com o feto
como pessoa. Jó 31.15 diz: "Aquele que me formou no ventre materno, não
os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?"
Em Jó 10.8,11 lemos: "As tuas mãos me plasmaram e me
aperfeiçoaram... De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões
me entreteceste". O Salmo 78.5-6 revela o cuidado de Deus com os
"filhos que ainda hão de nascer".
O Salmo 139.13-16 afirma: "Pois tu formaste o meu interior, tu me
teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo
assombrosamente maravilhoso me formaste... Os meus ossos não te foram
encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas
profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda
informe". Esses textos bíblicos revelam os pronomes pessoais que são
utilizados para descrever o relacionamento entre Deus e os que
estão no ventre materno.
Esses versículos e outros (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15, 16; Isaías
49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se
encontram no ventre materno como pessoas. Não há outra conclusão
possível. Precisamos concordar com o teólogo John Frame: "Não há nada
nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, que uma
criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa
humana, a partir do momento da concepção".[1]
À luz do acima exposto, precisamos concluir que esses textos das
Escrituras demonstram que a vida humana pertence a Deus, e não a nós, e
que, por isso, proíbem o aborto. A Bíblia ensina que, em última análise,
as pessoas pertencem a Deus porque todos os homens foram criados por
Ele.
E você já fez um aborto?
Você já fez um aborto? Onde quer que se encontre, queremos que você
saiba que o perdão genuíno e a paz interior são possíveis, e que uma
verdadeira libertação do passado pode ser experimentada.
Deus é um Deus perdoador:
"Porém tu [és]... Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em
irar-te, e grande em bondade" (Neemias 9.17b).
"Pois tu, SENHOR, és bom e compassivo; abundante em benignidade para
com todos os que te invocam" (Salmo 86.5).
Aliás, Deus não apenas perdoa, Ele, de fato, "esquece":
"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e
dos teus pecados não me lembro" (Isaías 43.25).
Você poderá encontrar perdão agora mesmo simplesmente colocando sua
confiança em Jesus Cristo. Você pode confiar nEle, virando as costas
para os caminhos que você tem seguido, reconhecendo e confessando
seus pecados a Ele, e voltando-se para Cristo com a confiança de
que através do Seu poder, Ele haverá de lhe conceder perdão e uma
nova vida. Se você deseja ter seus pecados perdoados, se deseja
estar livre da culpa, se quer ter nova vida em Cristo, se quer
conhecer a Deus, e se você sabe que é amada por Ele, sugerimos a
seguinte oração:
Querido Deus, eu confesso o meu pecado. Meu aborto foi coisa errada
e eu agora venho à Tua presença em busca de perdão e de purificação.
Peço que não apenas me perdoes esse pecado, mas que me perdoes
todos os pecados de minha vida. Eu aceito que Jesus Cristo é Deus,
que Ele morreu na cruz para pagar a penalidade pelos meus pecados,
que ressuscitou ao terceiro dia, e que está vivo hoje. Eu O recebo
agora como meu Senhor e Salvador. Eu agora aceito o perdão que Tu
providenciaste gratuitamente na cruz e que me prometeste na
Bíblia. Torna o teu perdão real para mim. Eu peço isso em nome de
Jesus. Amém.
John Ankerberg e John Weldon
Fonte: www chamada.com.br

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15 maio 2009

O APÓSTOLO PAULO( I ) - A SUA VIDA

Apresentamos, aqui, uma série de três estudos focalizando a vida,
ministério, prisão e julgamento do apóstolo Paulo, o apóstolo para os gentios.


"Ele era um homem de pequena estatura", afirmam os Atos de Paulo,
escrito apócrifo do segundo século, "parcial-mente calvo, pernas
arqueadas, de compleição robusta, olhos próximos um do outro, e
nariz um tanto curvo."
Se esta descrição merecer crédito, ela fala um bocado mais a respeito
desse homem natural de Tarso, que viveu quase sete décadas cheias de
acontecimentos após o nascimento de Jesus. Ela se encaixaria no registro
do próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto. "As
cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença
pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível" (2 Co 10:10).
Sua verdadeira aparência teremos de deixar por conta dos artistas,
pois não sabemos ao certo. Matérias mais importantes, porém,
demandam atenção — o que ele sentia, o que ele ensinava, o que ele
fazia.
Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e
obra de Cristo, e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. As
cartas procedentes de sua pena, preservadas no Novo Testamento, dão
eloqüente testemunho da paixão de suas convicções e do poder de sua
lógica.
Aqui e acolá em suas cartas encontramos pedacinhos de autobiografia.
Também temos, nos Atos dos Apóstolos, um amplo esboço das atividades de
Paulo. Lucas, autor dos Atos, era médico e historiador gentio do
primeiro século.
Assim, enquanto o teólogo tem material suficiente para criar
intérminos debates acerca daquilo em que Paulo acreditava, o
historiador dispõe de parcos registros. Quem se der ao trabalho de
escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo
que só poderão ser preenchidas por conjeturas.
A semelhança de um meteoro brilhante, Paulo lampeja repentinamente
em cena como um adulto numa crise religiosa, resolvida pela
conversão. Desaparece por muitos anos de preparação. Reaparece no
papel de estadista missionário, e durante algum tempo podemos
acompanhar seus movimentos através do horizonte do primeiro século.
Antes de sua morte, ele flameja até entrar nas sombras além do
alcance da vista.

Sua Juventude:
Antes, porém, que possamos entender Paulo, o missionário cristão aos
gentios, é necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso, o
jovem fariseu. Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua
identidade: "Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não
insignificante da Cilícia" (At 21:39). Esta afirmação nos dá o
primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo.
A) Da Cidade de Tarso. No primeiro século, Tarso era a principal
cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor.
Embora localizada cerca de 16 km no interior, a cidade era um
importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que
passava no meio dela.
Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes, cobertas de neve, as
montanhas do Tauro, que forneciam a madeira que constituía um dos
principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses. Uma
im­portante estrada romana corria ao norte, fora da cidade e através
de um estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como "Portas
Cilicianas". Muitas lutas militares antigas foram travadas nesse
passo entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e
do Oeste, e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as
direções, por terra e por mar. Tarso possuía uma preciosa herança.
Os fatos e as lendas se entremesclavam, tornando seus cidadãos
ferozmente orgulhosos de seu passado.
O general romano Marco Antônio
concedeu-lhe o privilégio de libera
civitas ("cidade livre") em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse
parte de uma província romana, era autônoma, e não estava sujeita a
pagar tributo a Roma. As tradições democráticas da cidade-estado grega
de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo.
Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Em seus escritos, encontramos
reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. Em nítido
contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de
Paulo têm origem na vida citadina.
O reflexo do sol mediterrânico nos
capacetes e lanças romanos teriam
sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. Talvez
fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à
guerra cristã, na qual ele insiste em que "as armas da nossa milícia
não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir
fortalezas" (2 Co 10:4).
Paulo escreve de "naufragar" (1 Tm
1:19), do "oleiro" (Rm 9:21), de
ser conduzido em "triunfo" (2 Co 2:14). Ele compara o
"tabernáculo terrestre" desta vida a um edifício de Deus, casa não
feita por mãos, eterna, nos céus" (2 Co 5:1). Ele toma a palavra
grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo:
"nos tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo" (1 Co­ 4:9).
Tais declarações refletem a vida típica da cidade em que Paulo passou
os anos formativos da sua meninice. Assim as vistas e os sons deste
azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual
a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis.
Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como "cidade não
insignificante.
Os filósofos de Tarso eram quase
todos estóicos. As idéias estóicas,
embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres
pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido
exemplo.
Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não
passava de um menino pequeno, por muito tempo o seu nome permaneceu
como herói em Tarso. É quase impossível que o jovem Saulo não
tivesse ouvido algo a respeito dele.
Quanto, exatamente, foi o contato que o jovem Saulo teve com esse
mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas
as marcas da ampla educação e contato com a erudição grega o
acompanham quando homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais
questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que
ele representava. Também estava cônscio dos perigos das filosofias
religiosas especulativas dos gregos. "Cuidado que ninguém vos venha
a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos
homens... e não segundo Cristo", foi sua advertência à igreja de
Colossos (Cl 2:8).
B) Cidadão Romano. Paulo não era apenas "cidadão de uma cidade não
insignificante", mas também cidadão romano. Isso nos dá ainda outra
pista para o fundo histórico de sua meninice.
Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um
centurião romano e com um tribuno romano. (Centurião era um militar de
alta patente no exército romano com cem homens sob seu
comando; o tribuno, neste caso, seria
um comandante militar.) Por ordens do tribuno, o centurião estava
prestes a açoitar Paulo. Mas o Apóstolo protestou: "Ser-vos-á
porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?"?
(At 22:25). O centurião levou a notícia ao tribuno, que fez mais
inquirições. A ele, Paulo não só afirmou sua cidadania romana mas
explicou como se tornara tal: "Por direito de nascimento" (At
22:28). Isso implica que seu pai fôra cidadão romano.
Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. O tribuno, ou
comandante, desta narrativa, declara haver "comprado" sua cidadania por
"grande soma de dinheiro" (At 22:28). No mais das vezes, porém,
a cidadania era uma recompensa por algum serviço de distinção fora
do comum ao Império Romano, ou era concedida quando um escravo
recebia a liberdade.
A cidadania romana era preciosa, pois acarretava direitos e
privilégios especiais como, por exemplo, a isenção de certas formas
de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem
crucificado.
Todavia, o relacionamento dos
judeus com Roma não era de todo feliz.
Raramente os judeus se tornavam cidadãos romanos. Quase todos os
judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da Palestina.
C) De Descendência Judaica. Devemos, também, considerar a
ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua
família. Ele se descreve aos cristãos de Filipos como "da linhagem
de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei,
fariseu" (Fp 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de "israelita
"da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim (Rm 11:1).
Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de
seu povo, Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de
Israel, Saul, em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado
Saulo.
A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança
religiosa de Israel aos filhos. O menino começava a ler as
Escrituras com apenas cinco anos de idade. Aos dez, estaria
estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim,
ele se aprofundou na história, nos costumes, nas Escrituras e
na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era
fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus
helenistas.
Dentre os principais "partidos" dos
judeus, os fariseus eram os mais
estritos.
Estavam decididos a resistir aos esforços de seus
conquistadores romanos de impor-lhes novas crenças e novos estilos
de vida. No primeiro século eles se haviam tornado a "aristocracia
espiritual" de seu povo. Paulo era fariseu, "filho de fariseus" (At
23.6). Podemos estar certos, pois, de que seu preparo religioso
tinha raízes na lealdade aos regulamentos da Lei, conforme a
interpretavam os rabinos. Aos treze anos ele devia assumir
responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.
Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade "aos pés de
Gamaliel", onde foi instruído "segundo a exatidão da lei..." (At22:3).
Gamaliel era neto de Hillel, um dos maiores rabinos judeus. A
escola de Hilel era a mais liberal das duas principais escolas de
pensamento entre os fariseus. Em Atos 5:33-39 temos um vislumbre de
Gamaliel, descrito como "acatado por todo o povo."
Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte
que pudessem, mais tarde, ensinar sem tornar-se um ônus para o povo.
Paulo escolheu uma indústria típica de Tarso, fabricar tendas
de tecido de pêlo de cabra. Sua perícia nessa profissão
proporcionou-lhe mais tarde um grande incremento em sua obra
missionária.
Após completar seus estudos com Gamaliel, esse jovem fariseu
provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou alguns anos. Não
temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou que
o tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra.
Da pena do próprio Paulo bem como do livro de Atos vem-nos a
informação de que depois ele voltou a Jerusalém e dedicou suas
energias à perseguição dos judeus que seguiam os ensinamentos de
Jesus de Nazaré. Paulo nunca pôde perdoar-se pelo ódio e pela
violência que caracterizaram sua vida durante esses anos. "Porque eu sou
o menor dos apóstolos", escreveu ele mais tarde, "..."pois
persegui a igreja de Deus" (1 Co 15:9). Em outras passagens ele se
denomina "perseguidor da igreja" (Fp 3:6), "como sobremaneira
perseguia eu a igreja de Deus e a devastava" (Gl 1:13).
Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo
jorra alguma luz sobre a questão de como um homem de consciência tão
sensível pudesse participar dessa violência contra o seu próprio
povo."... noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas
obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade"
(1 Tm 1:13). A história da religião está repleta de exemplos de
outros que cometeram o mesmo erro. No mesmo trecho, Paulo refere a si
próprio como "o principal" dos pecadores" (1 T 1:15), sem dúvida
alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores.
D) A Morte de Estevão. Não fôra pelo modo como Estevão morreu (At
7:54-60), o jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento
sem comoção alguma, ele que havia tomado conta das vestes dos
apedrejadores. Teria parecido apenas outra execução legal.
Mas quando Estevão se ajoelhou e as
pedras martirizantes choveram sobre sua cabeça indefesa, ele deu
testemunho da visão de Cristo na glória, e
orou: "Senhor, não lhes imputes este pecado" (Atos 7:60).
Embora essa crise tenha lançado Paulo em sua carreira como caçador
de hereges, é natural supor que as palavras de Estevão tenham
permanecido com ele de sorte que ele se tornou "caçado" também;
—caçado pela consciência.
E) Uma Carreira de Perseguição . Os eventos que se seguiram ao
martírio de Estevão não são agradáveis de ler. A história é narrada num
só fôlego: "Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e,
arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere" (Atos 8:3).
Há um registro fiel desses fatos no livro "A história dos hebreus"
do historiador Flávio Josefo, testemunha ocular desses momentos.

A Conversão:
A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a
semente da fé. Os crentes se dispersaram e em breve
a nova fé estava sendo pregada por toda a parte (cf. Atos 8:4).
"Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor" (Atos
9:1), Saulo resolveu que já era tempo de
levar a campanha a algumas das "cidades estrangeiras" nas quais se
abrigaram os discípulos dispersos. O comprido braço do Sinédrio
podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império em questões de
religião. Nesse tempo, os seguidores de Cristo ainda eram
considerados como seita herética.
Assim, Saulo partiu para Damasco,
cerca de 240 km distante, provido de credenciais que
lhe dariam autoridade para, encontrando os "que eram
do caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para
Jerusalém" (Atos 9:2).
Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem, dia após
dia, no pó da estrada e sob o calor escaldante do sol? A
auto-revelação intensamente pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos
uma pista. Vemos aqui a luta de um homem consciencioso para
encontrar paz mediante a observância de todas as pormenorizadas
ramificações da Lei.
Isso o libertou? A resposta de Paulo, baseada em sua experiência,
foi negativa. Pelo contrário, tornou-se um peso e uma tensão
intoleráveis. A influência do ambiente helertístico de Tarso não deve
ser menosprezada ao tentarmos encontrar o motivo da frustração
interior de Saulo. Depois de seu retorno a Jerusalém, ele deve ter
achado irritante o rígido farisaísmo, muito embora professasse
aceitá-lo de todo o coração. Ele havia respirado ar mais livre
durante a maior parte de sua vida, e não poderia renunciar à liberdade a
que estava acostumado.
Contudo, era de natureza espiritual o motivo mais profundo de sua
tristeza. Ele tentara guardar a Lei, mas descobrira que não poderia
fazê-lo em virtude de sua natureza pecaminosa decaída. De que modo,
pois, poderia ele ser reto para com Deus?
Com Damasco à vista, aconteceu uma coisa momentosa. Num lampejo
cegante, Paulo se viu despido de todo o orgulho e presunção, como
perseguidor do Messias de Deus e do seu povo. Estevão estivera
certo, e ele errado. Em face do Cristo vivo, Saulo capitulou. Ele
ouviu uma voz que dizia: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues;...
levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer"
(At 9:5-6). E Saulo obedeceu.
Durante sua estada na cidade,
"Esteve três dias sem ver, durante os
quais nada comeu nem bebeu" (Atos 9:9). Um discípulo residente em
Damasco, por nome Ananias, tornou-se amigo e conselheiro, um homem
que não teve receio de crer que a conversão de Paulo' fôra
autêntica. Mediante as orações de Ananias, Deus restaurou a vista a Paulo.

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O APÓSTOLO PAULO (II) - SEU MINISTÉRIO

Paulo começou, na sinagoga de Damasco, a dar testemunho de sua fé
recém-encontrada. O tema de sua mensagem concernente a Jesus era:
"Este é o Filho de Deus" (At 9:20). Mas Paulo tinha de aprender amargas
lições antes que pudesse apresentar-se como líder cristão confiável
e eficiente. Descobriu que as pessoas não se esquecem com
facilidade; os erros do homem podem persegui-lo por um longo tempo,
mesmo depois que ele os tenha abandonado. Muitos dos discípulos
suspeitavam de Paulo, e seus ex-companheiros de perseguições o odiavam.
Ele pregou por breve tempo em Damasco, foi-se para a Arábia e depois
voltou para Damasco.
A segunda tentativa de Paulo de pregar em Damasco igualmente não
teve bom resultado. Um ano ou dois haviam decorridos desde a sua
conversão, mas os judeus se lembravam de como ele havia desertado de
sua primeira missão em Damasco. O ódio contra ele inflamou-se de
novo e "deliberaram entre si tirar-lhe a vida" (At 9:23).
A dramática história da fuga de Paulo por sobre a muralha, num cesto,

Os dias de preparação de Paulo não estavam terminados. O relato que
ele faz aos gálatas continua, dizendo: "Decorridos três anos, então
subi a Jerusalém. . ." (G l 1:18). Ali ele encontrou a mesma hostil
recepção que teve em Damasco. Uma vez mais foi obrigado a fugir.
Paulo desapareceu por alguns anos. Esses anos que ele passou
escondido deram-lhe convicções amadurecidas e estatura espiritual de
que ele necessitaria em seu ministério.
Em Antioquia, os gentios estavam sendo convertidos a Cristo.
A Igreja em Jerusalém teve de decidir como cuidar desses novos
crentes. Foi então que Barnabé se lembrou de Paulo e se dirigiu a
Tarso à sua procura (At 11:25). Barnabé já tinha sido instrumento na
apresentação de Paulo em Jerusalém, num esforço por afastar suspeitas
contra ele.
A esses dois homens foi confiada a tarefa de levar socorro à Judéia
onde os seguidores de Jesus estavam passando fome. Quando Barnabé e
Paulo voltaram a Antioquia, missão cumprida, trouxeram consigo o
jovem João, apelidado Marcos, sobrinho de Barnabé (At 12:25).

As Viagens Missionárias:
A jovem e florescente igreja de Antioquia resolve enviar a Barnabé e
a Paulo como missionários. O primeiro porto de escala na primeira
viagem missionária foi Salamina, na ilha de Chipre, terra natal de
Barnabé. Este fato, juntamente com a freqüente apresentação que a
Bíblia faz desses missionários como "Barnabé e Saulo" indica que
Paulo desempenhava papel secundário. Esta era a viagem de Ba rna bé;
Paulo exercia o segundo posto de comando, e os dois tinham "João
[Marcos] como auxiliar" (At 13:5).
O êxito de seus esforços missionários nessa ilha incentivaram Paulo
e seus parceiros a avançar para território mais difícil. Fizeram uma
viagem mais longa por mar, desta vez até Perge, já em terras
continentais da Ásia Menor. Dali Paulo pretendia viajar pelo
interior numa missão perigosa até à Antioquia da Pisídia.
Mas, exatamente neste ponto, aconteceu algo que causou muita dor de
cabeça aos três. O ajudante, João Marcos, "apartando-se deles,
voltou para Jerusalém" (At 13:13), onde morava. A Bíblia não nos
diz por quê, embora seja natural conjeturar que lhe faltaram coragem
e confiança. A súbita mudança dos planos de Marcos causaria, mais
tarde, conflito entre Paulo e Barnabé.
Em Antioquia, Paulo tornou-se o porta-voz e criou-se um padrão
conhecido de todos. Alguns criam em sua mensagem e se regozijavam;
outros a rejeitavam e provocavam oposição. Aconteceu pela primeira
vez em Antioquia, depois em Icônio. Em Listra ele foi apedrejado e
dado por morto(At 14:19), mas sobreviveu e pôde prosseguir até à
cidade de Derbe.
A visita de Paulo e Barnabé a Derbe completou a sua primeira
viagem. Logo Paulo resolveu percorrer de novo a difícil rota sobre a
qual ele tinha vindo, a fim de fortalecer, encorajar e organizar os
grupos cristãos que ele e Barnabé haviam estabelecido.
Nisto discernimos o plano de Paulo de estabelecer congregações nas
principais cidades do Império. Ele não deixava seus convertidos
desorganizados e sem liderança capaz, mas, pelo mesmo motivo, não
permanecia muito tempo num só lugar.
Os judeus muitas vezes faziam convertidos entre os gentios, mas
estes eram mantidos numa posição de "segunda classe". A não ser que
estivessem preparados para submeter-se à circuncisão e aceitar a
interpretação da Lei segundo os fariseus, eles permaneciam à margem
da congregação judaica. Mesmo que chegassem a esse ponto, o fato de
não terem nascido judeus ainda os barrava de usufruir completa
comunhão.
Assim, qual seria a relação dos convertidos gentios com a comunidade
cristã? Paulo e Barnabé viajaram a Jerusalém a fim de conferenciar
com os dirigentes ali a respeito desse problema fundamental.
Em Jerusalém, Paulo expôs as suas convicções e saiu vencedor.
A descrição da controvérsia que o próprio Paulo apresenta aos gálatas
declara que lhe estenderam "a destra de comunhão" e igualmente a
Barnabé. Os dirigentes da igreja concordaram em que "nós fôssemos
para os gentios" (Gl 2:9).
Após a conferência de Jerusalém, Paulo e Barnabé "demoraram-se em
Antioquia, ensinando e pregando,.. . a palavra do Senhor" (Atos
15:35). Aqui, dois incidentes causaram severas tensões às relações
de trabalho de Paulo com Pedro e Barnabé:
O primeiro desses incidentes surgiu dos mesmos problemas que
provocaram a conferência de Jerusalém. A conferência havia liberado
os gentios do regulamento judaico da circuncisão. Contudo, não havia
decidido se os cristãos de origem judaica poderiam comer com os
convertidos gentios. Pedro tomou posição ao lado de Paulo nessa
praxe, o que envolvia relaxar os regulamentos dos judeus com vistas
a alimentos. Na realidade, Pedro deu o exemplo comendo com gentios.
Mais tarde, porém, ele "afastou-se e, por fim, veio a apartar-se"
(Gl 2:12), e Barnabé se deixou levar "pela dissimulação deles" (v. 13).
Paulo, considerando esses atos como nova ameaça à sua missão entre
os gentios, recorreu a uma medida drástica. "Resisti-lhe [a Pedro]
face a face, porque se tornara repreensível" (Gálatas 2:11). Ele fez
isso "na presença de todos" (v. 14). Em outras palavras, ele
recorreu à censura pública.
Esse incidente ajuda-nos a entender o segundo, que Lucas registra em
Atos 15:36-40. Barnabé desejava que o jovem Marcos os acompanhasse
na segunda viagem missionária; Paulo opôs-se à idéia. E a narrativa
diz que "houve entre eles tal desavença que vieram a separar-se" (v. 39).
Não sabemos se Paulo e Barnabé voltaram a encontrar-se. Eles
concordaram em discordar" e empreenderam viagens, cada um para seu
lado". Sem dúvida o evangelho foi desse modo promovido mais do que se
tivessem permanecido juntos.
Então "Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu. . . E passou pela
Síria e Cilícia, confirmando as igrejas" (Atos 15:40, 41). Depois de
nova visita a Derbe, o último ponto visitado na primeira viagem,
Paulo e seu grupo prosseguiram até Listra para ver seus convertidos
nesta cidade. Aqui Paulo encontrou um jovem cristão chamado Timóteo
(Atos 16:1), e viu nele um substituto potencial para Marcos.
O que aconteceu aqui redimiu Paulo de qualquer acusação de não se
mostrar disposto a depositar confiança em homens mais moços do que
ele. Em 1 Tm 1:2 dirigiu-se ao jovem Timóteo "verdadeiro filho", e
na segunda epístola fala dele como "amado filho" (2 Tm 1:2). Na
segunda epístola lemos também: "pela recordação que guardo da tua
fé, a mesma que primeiramente habitou em tua avó Lóide, e em tua mãe
Eunice, e estou certo de que também em ti" (2 Tm 1:5). Esta
referência pode significar que a família de Timóteo fôra ganha para
Cristo por Paulo e Barnabé na sua primeira viagem. Por certo, quando
Paulo voltou, ele quis que Timóteo "fosse em sua companhia" (At 16:3).
Este mesmo versículo acrescenta que Paulo "circuncidou-o por causa
dos judeus". Era esta atitude coerente com o julgamento anterior de
Paulo sobre Pedro? Ou se devia ao fato de ter ele aprendido a não
criar problemas desnecessários? De qualquer modo, uma vez que
Timóteo era meio-judeu, esta decisão evitaria problemas muitas
vezes. Paulo sabia como lutar por um principio e como ceder por
conveniência quando não estava em jogo nenhum princípio. Paulo
sustentava que a circuncisão não era necessária à salvação (cf.
Gálatas), mas estava pronto para circuncidar um judeu cristão como uma
questão de conveniência.
Quando o grupo de evangelistas (dirigido de algum modo não
especificado pelo Espírito Santo — At 16:6-8) chegou a Trôade e se
pôs a contemplar o outro lado da estreita península, deve ter
ponderado sobre a perspectiva de avançar sua campanha ao continente
europeu. A decisão foi tomada quando "à noite, sobreveio a Paulo uma
visão, na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo:
Passa à Macedônia e ajuda-nos" (At 16:9). A resposta de Paulo foi
imediata. O grupo navegou para a Europa. Muitos escritores têm sugerido
que esse "varão macedônio" pode ter sido o médico Lucas. De qualquer
maneira, parece que neste ponto ele entrou no drama de viagem,
porque agora ele começa a referir-se aos missionários como "nós".
A viagem continuou ao longo da grande estrada romana que corre para
o Ocidente através das principais cidades da Macedônia — desde Filipos
até Tessalônica, e de Tessalônica a Beréia. Durante três
semanas, Paulo falou na sinagoga de Tessalônica; depois foi para
Atenas, centro da erudição grega, e cidade onde dominava a idolatria
(At 17:16). Incansável, ele partiu para Corinto.
Sua primeira e grande missão no mundo gentio estendeu-se por quase
três anos. Depois ele voltou a Antioquia.
Após uma curta permanência em Antioquia, Paulo partiu em sua
terceira viagem missionária no ano 52 d.C. Desta vez suas primeiras
paradas foram na Galácia e na Frígia. Depois de visitar as igrejas em
Derbe, Listra, Icônio e Antioquia, ele resolveu fazer algum trabalho
missionário intensivo em Éfeso, a capital da província romana da
Ásia. Estrategicamente localizada para comércio, era superada
somente por Roma, Alexandria e Antioquia em tamanho e importância.
Como resultado dos trabalhos de Paulo ali, ela tornou-se a terceira
mais importante cidade na história do Cristianismo primitivo.
Jerusalém, Antioquia, depois Éfeso.
Paulo chegou a Éfeso para empreender o que provou ser as mais
extensas e exitosas de suas atividades missionárias em qualquer
localidade. Mas esses anos lhe foram estrênuos. Visto que ele
sustentava a si próprio trabalhando em sua profissão, seus dias eram
longos. Seguindo o costume dos trabalhadores de um clima tão
quente, ele levantava-se antes de raiar o dia e começava a trabalhar. As
horas da tarde ele as empregava no ensino e pregação, e é provável que
também o fazia ao cair da noite. Isto ele fez "diariamente" durante "dois
anos". Em sua própria descrição desses trabalhos, Paulo acrescenta que
ele não só ensinava em público, mas "também de casa em casa" (At20:20).
"Teve êxito — muito bom êxito. Somos informados de "milagres
extraordinários" (At 19:11) ocorridos durante esses dias agitados em
Éfeso. A nova fé causou tal impacto sobre a cidade que "muitos dos
que haviam praticado artes mágicas, "reunindo os seus livros, os
queimaram diante de todos" (At 19:19). Isso suscitou o ódio dos
adoradores pagãos, temerosos de que os cristãos solapassem a
influência de sua religião.
Depois de três invernos em Éfeso, Paulo passou o seguinte em
Corinto, em concordância com a promessa e a esperança expressas em
1Co 16:5-7. Ali Paulo fez outros preparativos para uma visita a Roma.
Escreveu uma carta, dizendo aos cristãos de Roma: "Muito desejo
ver-vos, . . . muitas vezes me propus ir ter convosco" (Rm 1:11,13),
"e "penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha" (Rm 15:24).
Paulo ignorou as advertências sobre os perigos que o ameaçavam se
ele aparecesse de novo em Jerusalém. Ele achava que era decisivo
voltar em pessoa, como portador da oferta das congregações gentias.
Ele estava "pronto não só para ser preso, mas até para morrer em
Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus" (At 21:13). De modo que Paulo
foi de novo a Jerusalém, e Lucas escreve que "os irmãos nos
receberam com alegria" (At 21:17). Mas espreitando nas sombras estava
uma comissão de recepção com intenções diferentes.

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O APÓSTOLO PAULO(III) - PRESO E JULGADO

Os cristãos de Jerusalém ficaram felizes ao ouvir o relatório de
Paulo sobre a divulgação da fé cristã. Contudo, alguns cristãos
judeus duvidaram da sinceridade de Paulo. Para mostrar seu respeito
pela tradição judaica, Paulo juntou-se a quatro homens que cumpriam
um voto de nazireu no templo. Alguns judeus da Ásia agarraram Paulo
e falsamente o acusaram de introduzir gentios no templo (At
21:27-29). O tribuno da guarnição romana levou Paulo em custódia
para impedir um levante. Ao saber que Paulo era cidadão romano, o
tribuno retirou-lhe as cadeias e pediu aos judeus que convocassem o
Sinédrio para interrogá-lo.
Paulo percebeu que a multidão enfurecida poderia matá-lo. Assim, ele
disse ao Sinédrio que fôra preso por ser fariseu e crer na
ressurreição dos mortos. Esta afirmação dividiu o Sinédrio em suas
facções de fariseus e saduceus, e o comandante romano teve de salvar
Paulo de novo.
Ouvindo dizer que os judeus tramavam uma emboscada contra Paulo, o
comandante enviou-o de noite a Cesaréia, onde ficou guardado no
palácio de Herodes. Paulo passou dois anos preso aí.
Quando os acusadores de Paulo chegaram, acusaram-no de haver tentado
profanar o templo e de ter criado uma revolta civil em Jerusalém (At
24:1-9). Félix, procurador romano, exigiu mais provas do tribuno em
Jerusalém. Mas antes que estas chegassem, Félix foi substituído por
um novo procurador, Pórcio Festo. Este novo oficial pediu aos acusadores
de Paulo que viessem de novo a Cesaréia. Ao chegarem, Paulo fez
valer os seus direitos como cidadão romano de apresentar seu caso
perante César.
Enquanto aguardava o navio para Roma, Paulo teve oportunidáde de
defender a sua causa perante o rei Agripa II que visitava Festo.
O capítulo 26 de Atos registra o discurso de Paulo no qual ele contou
de novo os eventos de sua vida até aquele ponto.
Festo entregou Paulo aos cuidados de um centurião chamado Júlio, que
estava levando um navio carregado de prisioneiros para a cidade
imperial. Após uma viagem acidentada, o navio naufragou na ilha de
Malta. Três meses depois, Paulo e os demais prisioneiros tomaram
outro navio para Roma.
Os cristãos de Roma viajaram quase cinqüenta quilômetros para dar as
boas-vindas a Paulo (At 28:15). Em Roma Paulo foi posto sob prisão
domiciliar, e em At 28:30 lemos que ele alugou uma casa por dois anos,
enquanto aguardava que Cézar ouvisse o seu caso.
O Novo Testamento não nos fala da morte de Paulo. Muitos estudiosos
modernos crêem que César libertou o apóstolo, e que ele empenhou-se
em mais trabalho missionário antes de ser preso pela segunda vez e
executado.
Dois livros escritos antes do ano 200 d.C. — a Primeira Epístola de
Clemente e os Atos de Paulo — asseveram que isso aconteceu. Indicam
que Paulo foi decapitado em Roma perto do fim do reinado do
imperador Nero (c. 67 d.C.).

A personalidade do Apóstolo:
As epístolas de Paulo são o espelho de sua alma. Revelam seus
motivos íntimos, suas mais profundas paixões, suas convicções
fundamentais. Sem a sobrevivência das cartas de Paulo, ele seria
para nós uma figura vaga, confusa.
Paulo estava mais interessado nas pessoas e no que lhes acontecia do
que em formalidades literárias. A medida que lemos os escritos de
Paulo, notamos que suas palavras podem vir aos borbotões, como no
primeiro capítulo da carta aos Gálatas. As vezes ele irrompe
abruptamente para mergulhar numa nova linha de pensamento. Em alguns
pontos ele toma um longo fôlego e dita uma sentença quase sem fim.
Temos em 2 Co 10:10 uma pista de como as epístolas de Paulo eram
recebidas e consideradas. Mesmo seus inimigos e críticos reconheciam o
impacto do que ele tinha para dizer, pois sabemos que comentavam:
"As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes".. (2 Co 10:10).
Líderes fortes, como Paulo, tendem a atrair ou repelir os que eles
buscam influenciar. Paulo tinha tanto seguidores devotados quanto
inimigos figadais. Como conseqüência, seus contemporâneos mantinham
opiniões variadíssimas a seu respeito.
Os mais antigos escritos de Paulo antedata a maioria dos quatro
Evangelhos. Refletem-no como um homem de coragem (2 Co 2:3), de
integridade e elevados motivos (vv. 4-5), de humildade (v. 6), e de
benignidade (v. 7).
Paulo sabia diferençar entre sua própria opinião e o "mandamento do
Senhor" (1 Co 7:25). Era humilde bastante para dizer "se­gundo minha
opinião" sobre alguns assuntos (1 Co 7:40). Ele estava bem cônscio
da urgência de sua comissão (1 Co 9:16-17), e do fato de não estar
fora do perigo de ser "desqualificado" por sucumbir à tentação (1Co
9.27). Ele se recorda com pesar de que outrora perseguia a Igreja de
Deus (1Co 15.9).
Leia o capítulo 16 da carta aos Romanos com especial atenção à
atitude generosa de Paulo para com os seus colaboradores. Ele era um
homem que amava e prezava as pessoas e tinha em alto apreço a
comunhão dos crentes. Na carta aos Colossenses vemos quão afetivo e
amistoso Paulo poderia ser, mesmo com cristãos com os quais ainda
não se havia encontrado. "Gostaria, pois, que saibais, quão grande
luta venho mantendo por vós. . . e por quantos não me viram face a
face", escreve ele (Cl 2:1).
Na carta aos Colossenses lemos também a respeito de um homem chamado
Onésimo, escravo fugitivo (Cl 4:9; Fm 10), que evidentemente havia
acrescentado ao furto o crime de abandonar o seu dono, Filemom.
Agora Paulo o havia conquistado para a fé cristã e o persuadira de
voltar ao seu senhor. Mas conhecendo a severidade
do castigo imposto aos escravos fugitivos, o apóstolo desejava
convencer a Filemom a tratar Onésimo como irmão. Aqui vemos Paulo, o
reconciliador. E tudo isso ele fez a favor de um homem que estava no
degrau mais baixo da escada da sociedade romana. Contraste essa
atitude com o comportamento do jovem Saulo guardando as vestes dos
apedrejadores de Estevão. Observe quão profundamente Paulo havia
mudado em sua atitude para com as pessoas.
Nesses escritos vemos Paulo como amigo generoso, afetivo, um homem
de grande fé e coragem— mesmo em face de circunstâncias
extremas. Ele estava totalmente comprometido com Cristo, quer na
vida, quer na morte. Seu testemunho é profundamente firmado nas
realidades espirituais: "Tanto sei estar humilhado, como também ser
honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência,
tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de
escassez; tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4:12-13).

(os três estudos acima foram extraídos do site "vivos" - www.vivos.com.br)

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